Vasco melhora postura, mas falhas defensivas custam caro em derrota para o São Paulo na Copa do Brasil

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RIO - Nesta noite, o torcedor vascaíno se dividiu entre momentos de animação com a nova postura do time promovida pelo técnico Lisca e a aflição com as antigas falhas defensivas. No fim, se sobressaíram os problemas na defesa e o placar de 2 a 0 para São Paulo, no jogo de ida de oitavas de final, no Morumbi, terminou como um duro golpe nas expectativas sobre uma classificação para a próxima fase. Na próxima quarta, os times se reencontram em São Januário.

Após apenas uma semana como técnico do Vasco, uma partida disputada e três treinos completos, Lisca poderia optar por uma fórmula conservadora e apostar numa defesa fechada contra o São Paulo. Mas, na véspera, o treinador avisara que o time não adotaria postura reativa, tanto que focou em treinar a marcação no campo adversário. A ousadia pode ser considerada louvável, e o Vasco de fato teve bons momentos no Morumbi, especialmente no segundo tempo, mas, no fim, não foi suficiente frente às falhas do sistema defensivo.

O torcedor menos ansioso deve destacar que o foco do time é a Série B, e a Copa do Brasil, ainda mais enfrentando uma grande equipe como o São Paulo, não era das tarefas mais fáceis. Assim, é válido propôr e confiar numa filosofia de jogo a médio e longo prazo, o que parece ser a intenção de Lisca, que depende de respaldo, da torcida e da diretoria, para ter êxito.

O próprio meia Marquinhos Gabriel, que teve boa atuação no Morumbi, explicou, em entrevista coletiva nesta terça, como as estratégias de jogo do time oscilaram de acordo com os resultados ao longo da temporada. A proposta inicial, de um time controlador das ações de jogo, sucumbiu junto às derrotas logo no início da Série B. O ex-técnico Marcelo Cabo, então, optou em mudar a fórmula, ao abrir mão da posse de bola e apostar nos contra ataques. Os resultados tiveram leve melhora, mas ainda não eram suficientes, tanto que ele terminou demitido.

Agora, Lisca assume com o discurso de aumentar a "ofensividade" do time. Há, porém, desafios grandes na defesa. A ideia de jogar com uma linha alta não é simples ao se considerar que a zaga é formada pelos já experientes - e lentos - Leandro Castán e Ernando. O primeiro gol do São Paulo, por exemplo, expôs esses problemas. O Vasco ocupava o campo do São Paulo, mas não conseguiu fazer pressão sobre Benitez, num descompasso que pode ser creditado ao pouco tempo de treino. O meia então encontrou lindo lançamento para Rigoni, que teve o espaço que desejava nas costas de Castán, e ainda chamou o zagueiro para dançar antes de boa finalização cruzada.

O zagueiro e capitão vascaíno ainda voltaria a falhar no segundo gol, quando Pablo desviou de cabeça em escanteio cobrado no primeiro pau, aos 35, numa já tradicional falha da defesa do Vasco. Após o jogo, Ernando, e principalmente Castán, foram muito criticados pela torcida. Enquanto isso, crescem os apelos, na internet, pela contratação de Dedé, que está sem clube desde que deixou o Cruzeiro.

Mas entre um gol e outro do São Paulo, o Vasco mostrou boas novidades. Após 15 minutos iniciais de dificuldade, controlou bem o meio de campo, com boas atuações de Bruno Gomes e Marquinhos Gabriel. Tanto que terminou com maior posse de bola (51%) e com 16 finalizações, contra 18 do São Paulo. Fato difícil de se imaginar há duas semanas, quando o time entregava a bola contra equipes como Confiança e Sampaio Correia.

No intervalo, Lisca sacou um inofensivo Pec e colocou Andrey, que retornava de lesão, e aumentou a presença do time do meio campo. O cruzmaltino encontrou espaços, mas Cano não estava numa noite inspirada e em pelo menos duas oportunidades na partida não tomou as melhores decisões. Com a saída de Rigoni, principal jogador do São Paulo, o Vasco passou a ser ainda mais dominante. Mas, novamente, as decisões equivocadas no terço final custaram caro. Léo Jabá, que cansou no segundo tempo, e o jovem e promissor Arthur Salles, que entrou no final, por exemplo, desperdiçaram boas chances. O foco agora volta à Série B, e no sábado o Vasco terá outra dura tarefa, em clássico contra o Botafogo.

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