Valdívia no Inter: de esperança de craque a dor de cabeça

Goal.com

Há cinco anos, Valdívia despontava como o futuro do Internacional. Um jogador veloz e jovem, com bom drible, que chamava a responsabilidade dentro de campo e tinha muito, mas muito carisma. Ao menos, o atleta prometia render um bom dinheiro ao clube. Indo para seus últimos seis meses de contrato, está prestes a deixar o Colorado pela porta dos fundos.

O caso atual é emblemático. Emprestado ao Avaí, onde vem fazendo boas atuações, o "Poko Pika" é o único jogador que ainda tem vínculo com o Inter que se recusou a aceitar a redução salarial proposta pela diretoria. A negativa do meia-atacante foi divulgada na imprensa e a torcida do clube gaúcho não poupou o ex-xodó de críticas pesadas.

A história de Valdívia nos profissionais do Internacional começa quando o jogador ainda tinha 19 anos. Após o decepcionante ano de 2013, o Internacional chegou para 2014 sem muitas pretensões, mas foi bem com Abel Braga e acabou na terceira colocação do Brasileirão, classificado para a Libertadores. O jovem ganhou seu espaço como xodó daquela equipe, marcando gols importantes durante toda a temporada.

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Foi no ano de 2015, no entanto, que o jogador explodiria de vez. Seria o seu ápice com a camisa do Colorado.

Sob o comando do uruguaio Diego Aguirre, não é nenhum exagero dizer que Valdívia, com apenas 20 anos, foi o principal jogador de um time do Internacional que ficou a muito pouco de alcançar a final da Libertadores, chegando a brilhar pela artilharia da competição. Com 19 gols e várias assistências, foi o grande goleador do clube no ano e virou titular da seleção olímpica.

Foi justamente pelo Brasil sub-23 que sua temporada acabou. Depois de uma partida diante da Ponte Preta, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2015, já com Argel Fucks no comando, Poko Pika foi defender a seleção na época comandada por Rogério Micale. Com a amarelinha, logo depois de ter completado 21 anos, sofreu uma lesão grave no joelho esquerdo e ficou fora de combate por sete meses.

O meia retornou a um Internacional muito diferente, mas que fazia uma boa campanha no Brasileirão de 2016, na vice-liderança da competição. Querido pela torcida, era esperado que a volta do jogador fosse o combustível que o clube precisasse para brigar de vez pelo título. Não foi bem o que aconteceu.

Valdívia reestreou substituindo Eduardo Sasha, faltando sete minutos para acabar o duelo diante do Flamengo, mas não conseguiu impedir a derrota do Colorado, o quarto jogo consecutivo sem vitória. No final, essa sequência sem vencer duraria 14 partidas, levaria a demissão de Argel Fucks e a uma passagem relâmpago do ídolo Paulo Roberto Falcão.

Até reassumiu a titularidade, mas suas atuações já não convenciam como no passado: de querido pela torcida, passou a ser visto como um jogador indolente, que se preocupava mais com o extra-campo do que com a situação crítica que vivia o Inter. Assim, em poucos meses perdeu todo seu prestígio - e a condição de titular.

Vindo do banco de reservas, não conseguiu ter um bom futebol, e viu o Colorado perder partida após partida. O rebaixamento, inédito na história do clube, parecia cada vez mais possível. 

Neste momento, Valdívia quase conseguiu recuperar o carinho dos torcedores. Contra o Ponte Preta, na 35ª rodada, começou de titular, quebrou uma sequência de 15 jogos sem marcar e garantiu um ponto contra a Macaca.

Duas rodadas depois, com o Inter apelando para Lisca Doido e mais de 90% de chance de cair, marcou um golaço decisivo, de fora da área, ao sair do banco de reservas, que deu esperanças ao torcedor colorado. Seria, talvez, o seu último grande momento com a camisa do clube. Contra o Fluminense, na última partida da competição, não se destacou, viu o Sport vencer o já rebaixado Figueirense e se tornou um dos "protagonistas" da tragédia.

Daí em diante, a permanência de Valdívia fica em xeque: mesmo tendo o seu contrato renovado pela diretoria, que esperava lucrar com o jogador, passou a ser alvo de vaias, marcado pela torcida por 2016. Começou a ser emprestado sucessivamente, sem conseguir se consolidar em nenhuma equipe.

Primeiro, foi o Galo, onde até viveu momentos interessantes e assumiu a titularidade em certos momentos de sua passagem em Belo Horizonte, mas fez mais barulho fora de campo, ao ser atingido nas partes íntimas por Willian, do Palmeiras, do que dentro das quatro linhas.

No ano seguinte, em 2018, foi reforço do São Paulo. Lá, Valdívia se reencontrou com Diego Aguirre, e parecia destinado a revitalizar sua carreira. Contra o Athletico, pela Copa do Brasil, marcou um dos gols que dava a classificação ao Tricolor, mas viu o Furacão balançar as redes duas vezes e eliminar os paulistas. Na parada para a Copa, recebeu proposta do Al-Ittihad e se mandou para as Árabias.

Daí pra frente, não conseguiu se reeencontrar. Não foi bem no mundo árabe e voltou para o Vasco da Gama, onde deixou muito a desejar e viu sua saída ser comemorada pela torcida, após passar em branco no Cruz-maltino. Agora titular absoluto do Avaí, está próximo de encerrar seu vínculo no Colorado, onde foi do céu ao inferno.

Muitos "se" marcam a passagem de Valdívia pelo Internacional: e "se" ele não tivesse se machucado com a seleção olímpica? E "se" Geferson não tivesse marcado contra, diante do Tigres, na semifinal da Libertadores, e o clube tivesse ido à final da competição? E se Diego Aguirre não tivesse sido demitido após cair na Libertadores? Nunca saberemos. Agora, no entanto, o atleta tem outra chance. Longe dos pampas, o que pode fazer no futuro?

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