Vários patrocinadores dos Jogos de Tóquio têm dúvidas sobre manutenção de seus compromissos

AFP
Os aros olímpicos iluminados em Tóquio no dia 2 de junho de 2020
Os aros olímpicos iluminados em Tóquio no dia 2 de junho de 2020

Quase dois terços (65%) dos patrocinadores dos Jogos de Tóquio de 2020, adiados para 2021 devido ao coronavírus, têm dúvidas sobre manter ou não seus compromissos, de acordo com uma pesquisa publicada nesta sexta-feira pela rede de televisão pública NHK.

Alguns patrocinadores se mostraram preocupados com as consequências de suas operações promocionais durante os Jogos, cuja exposição poderia ser reduzida, dado o risco de disseminação da COVID-19 e o aumento de custos para os organizadores, de acordo com a NHK.

"Estamos procurando maneiras de simplificar a organização dos Jogos, ver como podemos reduzir a complexidade dos Jogos" e seu custo, disse o presidente do COI, Thomas Bach, em entrevista à AFP na quarta-feira, sem mencionar uma eventual competição com os portões fechados.

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Os patrocinadores também temem o cancelamento puro e simples dos Jogos de Tóquio, depois que os organizadores apontaram que 2021 era a "última opção" para sua celebração.

Muitos entre eles também explicaram que ainda não haviam tomado uma decisão já que a renegociação de seus contratos com os organizadores ainda não havia começado.

Toshiro Muto, diretor geral do comitê organizador de Tóquio-2020, confirmou em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira que essas renegociações ainda não puderam ser realizadas porque o Japão está em estado de alerta devido à COVID-19 desde o início de abril, pouco depois da decisão de adiar os Jogos.

Atualmente, ninguém pode garantir "100%" que os Jogos ocorrerão em 2021, mas o comitê organizador está "determinado" a realizar "de uma maneira ou de outra", disse ele, tentando enviar uma mensagem de tranquilidade.

- Coronavírus afetou 68% dos entrevistados -

Muto explicou que 80% dos locais previstos para receberem os Jogos de Tóquio já foram reservados com sucesso para o evento de 2021, e que as negociações continuam com os outros, em particular a Vila Olímpica e o centro de imprensa.

Mais de dois terços dos patrocinadores entrevistados (68%) indicaram que a crise do coronavírus havia afetado sua própria situação financeira. Os organizadores de Tóquio-2020 não forneceram uma estimativa dos custos adicionais relacionados ao adiamento do evento para 2021.

Enquanto isso, o COI anunciou em meados de maio que havia injetado US$ 800 milhões para enfrentar a crise do coronavírus.

O último orçamento para os Jogos, publicado no final de dezembro pelos organizadores, portanto antes da pandemia e da decisão de adiar o evento, era de quase US$ 12,5 bilhões para a parte japonesa.

No entanto, o Estado japonês que investiu provavelmente quase tanto entre a atribuição dos Jogos para Tóquio em 2013 e no exercício do biênio 2018/19, havia estimado no ano passado o equivalente japonês do tribunal de contas, sem que esse compromisso aparecesse no orçamento oficial.

Muitas grandes empresas japonesas em todos os setores são patrocinadoras dos Jogos de Tóquio e planejavam injetar cerca de 348 bilhões de ienes (mais de US$ 3,25 bilhões), ou seja, quase metade da receita esperada para o evento.

Além disso, esse valor não inclui a participação da Toyota, Panasonic e Bridgestone, que são patrocinadoras mundiais do COI em várias edições dos Jogos Olímpicos.

A pesquisa da NHK foi realizada em cima de 78 patrocinadores, sendo que 57 responderam.

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