Uruguai terá 'verão restrito' e com fronteiras fechadas, diz presidente

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Luis Lacalle Pou, presidente uruguaio, durante coletiva de imprensa sobre a pandemia em Montevidéu, em 22 de outubro de 2020
Luis Lacalle Pou, presidente uruguaio, durante coletiva de imprensa sobre a pandemia em Montevidéu, em 22 de outubro de 2020

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, disse nesta sexta-feira (22) que as fronteiras do Uruguai vão permanecer fechadas durante o verão e advertiu que a Justiça perseguirá quem descumprir a quarentena assim que chegar ao país, após o aumento de casos de covid-19. 

"O verão vai ser restrito e de fronteiras fechadas", disse o presidente durante coletiva de imprensa, depois de se reunir com autoridades sanitárias e cientistas que assessoram o governo para tratar do aumento dos casos diários do novo coronavírus, registrado nas últimas semanas. 

"As fronteiras ficarão basicamente fechadas, salvo exceções, que já são conhecidas e talvez alguma a mais", insistiu, explicando que a decisão foi tomada com vistas ao ocorrido em outros países. "Quando as fronteiras foram abertas, no relaxamento do turismo, países como a Islândia, que tinham poucos casos, dispararam", argumentou. 

Ele sublinhou que serão reforçados os controles a quem entrar no Uruguai, que atualmente permite a entrada de seus cidadãos, residentes ou por razões de trabalho ou familiares, entre outras exceções. 

Todos devem apresentar um exame negativo para a covid-19 em um teste feito no máximo 72 horas antes e se submeter a uma quarentena de sete dias até fazer um segundo teste ou estender a quarentena a 14 dias. 

O problema é que muitos dos que entram não cumprem este confinamento. 

Quem "tiver que fazer quarentena e não fizer, será levado à Justiça", esclareceu Lacalle Pou. 

O Uruguai, com 3,4 milhões de habitantes, tem sido elogiado por seu sucesso no controle da pandemia em um continente muito afetado pelo novo coronavírus. O país tem 2.701 contágios e 63 mortes pela doença. 

No entanto, nos últimos dias a média diária de novos casos aumentou para 40, quando no melhor momento, em meados de junho, chegou a ter dias sem nenhum registro de contágio.   

As autoridades associam este aumento a dois eventos ocorridos no fim de setembro: a Marcha da Diversidade, que reuniu dezenas de milhares de pessoas nas ruas, e as eleições departamentais e municipais, celebradas em todo o território. 

Embora o presidente tenha insistido no uso de máscaras, no distanciamento físico e no uso de álcool em gel, esclareceu que a situação sanitária está longe de sair do controle. 

São necessários "8.700 casos ativos para ter os leitos de CTI (lotados)", afirmou. "Estamos longe de todo jeito".  

O país tem 444 casos ativos, dos quais apenas sete estão em terapia intensiva, segundo os números oficiais desta quinta-feira. 

O foco que gera mais preocupação é o departamento fronteiriço de Rivera, 500 km ao norte de Montevidéu, que concentra cerca de 26% de todos os casos ativos (116). 

As autoridades suspenderam por duas semanas as aulas presenciais ali e o ministério da Defesa intensificará os controles sanitários em vários locais de acesso à cidade. 

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