Um terço das classes A e B pediu auxílio emergencial de R$ 600, diz pesquisa

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Foto: Bruna Prado/Getty Images
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Um estudo do Instituto Locomotiva publicada pelo jornal Valor Econômico indica que 3,89 milhões de famílias das classes A e B têm algum membro recebendo o auxílio emergencial de R$ 600 criado para atender pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia de coronavírus.

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De acordo com o estudo, um terço das famílias das classes A e B pediu o auxílio emergencial nos últimos dois meses. Segundo o levantamento, 69% dos pedidos procedentes da população de maior renda foram aprovados.

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Em tese, a legislação não proíbe pessoas das maiores faixas de renda de receber o benefício. Cidadãos das classes A e B podem ter acesso ao auxílio emergencial caso todos na família estejam trabalhando na informalidade e não tenham declarado Imposto de Renda no ano passado.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, declarou em entrevista coletiva na quarta-feira (3) que a identificação do perfil social de quem pede o auxílio não cabe ao banco, que é responsável apenas por executar os pagamentos autorizados pelo governo.

Pela legislação que criou o auxílio emergencial, a análise dos requerimentos cabe à Dataprev, estatal federal de tecnologia. A empresa vasculha 17 bases de dados e verifica se o autor do pedido se enquadra nos critérios para receber o auxílio.

Mas de acordo com Guimarães, os casos de fraudes bancárias relacionados ao auxílio emergencial são muito baixos. "O nível de fraudes na Caixa envolvendo o auxílio emergencial é próximo de zero", disse.

A pesquisa que identificou o alto nível de famílias de classes A e B recebendo auxílio do governo ouviu 2.006 pessoas de 72 cidades de todo o país, no período de 20 a 25 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo o Instituto Locomotiva, integrantes dessas famílias de classes mais altas estão omitindo a renda familiar no cadastro no site da Caixa para burlar as regras do programa. A pesquisa identificou que muitas dessas pessoas são esposas de empresários, jovens de famílias de classe média e servidores aposentados.

"O argumento, em geral, é algo do tipo: ‘Sempre paguei impostos e nunca tive nada em troca do governo’. Ou ainda que ‘a crise está difícil para todo mundo’. São pessoas que realmente acham que têm o direito ao benefício por esses fatores. Não existe um sentimento de que estão cometendo fraude", disse Renato Meirelles, fundador e presidente do Instituto Locomotiva, ao Valor.

Embora as famílias mais ricas também tenham sido atingidas pela crise do coronavírus – 36% tiveram algum integrante com negócio fechado ou sem funcionar –, poucos relataram falta de dinheiro para comprar alimentos: apenas 2%.

Segundo a Caixa, 107 milhões de brasileiros cadastraram-se para receberem o auxílio emergencial. Desse total, 59 milhões enquadraram-se nas regras e tiveram o benefício aprovado e 42,2 milhões foram considerados inelegíveis.

**Com informações da FOLHAPRESS

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