Um autógrafo para Pelé? Produtor e divulgador musical tem curiosa história com o 'Rei do Futebol'


Fotos, autógrafos em camisa ou em algum caderno... Não faltam lembranças a quem tem uma relíquia ligada a Pelé. que morreu na quinta-feira passada (29) aos 82 anos. Porém, o produtor e divulgador musical Armando Pittigliani guarda uma recordação para lá de peculiar: uma foto na qual aparentemente dá um autógrafo ao "Rei do Futebol".

+ Torcedores, autoridades e estrelas do futebol dão último adeus ao Rei Pelé

Produtor dos primeiros discos da turma da Bossa Nova e responsável também por ter lançado artistas do quilate de Sérgio Mendes, Jorge Benjor e Elis Regina, Armando Pittigliani trabalhava na gravadora PolyGram (atual Universal) na época. E explicou ao LANCE! como deu uma "caneta" no camisa 10.

- Eu estava trabalhando como produtor de discos da gravadora PolyGram, no selo Phillips, quando o Jair Rodrigues, meu saudoso compadre, me procurou e propôs gravar um disco. Este álbum teria a participação do Pelé, que estava consagrado como tricampeão mundial desde o título no México - disse.

+ MERCADO DA BOLA: veja as movimentações do seu time de coração

Durante os bastidores, Pittigliani pegou um papel e escreveu para Pelé ler. Assim, o produtor e divulgador começava a pregar uma peça no Atleta do Século (veja o registro abaixo).

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.


- O que estava escrito no papel? "Amigo, você acaba de ser fotografado recebendo um autógrafo meu" (risos). Aí ele riu e disse: "Pittigliani, você é muito criativo, entende?" - contou, em tom bem-humorado.

Peladeiro declarado, Armando Pittigliani revelou que aprontou esse "drible" com outros dois craques: Zico e Ronaldo Fenômeno. O produtor e divulgador musical disputou preliminares no Maracanã ao lado de artistas como Chico Buarque, Dori Caymmi, dos integrantes da formação original do MPB-4 e de outros campos, como o ator Arnaud Rodrigues, o apresentador Sérgio Chapelin e o múltiplo Miele.

O ENCONTRO MUSICAL DE PELÉ COM JAIR RODRIGUES

Pelé, Armando Pittigliani e Jair Rodrigues
Pelé, Armando Pittigliani e Jair Rodrigues

Pelé, Pittigliani e Jair Rodrigues durante a gravação de 'Cidade Grande'(Arquivo Pessoal / Armando Pittigliani)

Armando Pittigliani contou que a descontração tomou conta dos bastidores da gravação do dueto. O produtor também testemunhou a afinidade de uma dupla que se unia pela música e pelo futebol. Jair Rodrigues era torcedor do Santos.

+ Títulos, gols, cinema, música e mais: a vida e a obra de Pelé, o Rei do Futebol

- Os dois sempre foram grandes amigos. O Jair foi um grande peladeiro! Tanto que, no sítio que ele tinha em Itu, fez um campo de futebol tamanho oficial, muito bem gramado e com iluminação para jogos noturnos. Jair e eu estivemos juntos em Nova York com Pelé. Quando nos apresentou a Xuxa, antes dela ser famosa… - contou.

Pelé e Jair Rodrigues
Pelé e Jair Rodrigues

Canção teve clipe no "Fantástico", da Rede Globo (Januário Garcia / Divulgação


Pelé dividiu os vocais com o "Cachorrão" na música "Cidade Grande". A canção, de autoria do próprio "Rei", entrou no LP "Alegria de Um Povo", lançada em 1981.

- A gravação foi apresentada inclusive no "Fantástico" (programa da Rede Globo) - recordou Pittigliani.

O produtor contou como foi o "Rei" na rotina de gravação da canção.

- É claro que em matéria de afinação hoje seria mais fácil. Mas usamos alguns truques, como solar a melodia. Aí o artista canta ouvindo a melodia com você isso melhora um pouco. Depois, na mixagem, retiramos este instrumento "solista". Mas o clipe no "Fantástico" repercutiu muito - afirmou.

O produtor e divulgador musical atualmente, segue "em atividade" no Clube dos Trinta, em São Conrado, no Rio de Janeiro. Neste momento, Armando Pittigliani tem projetos de registrar suas memórias em um livro e em uma minissérie. Uma das histórias passa pela "caneta" que deu no saudoso "Rei do Futebol".