UFC volta após o coronavírus e pode afetar retorno dos esportes

Redação Esportes
·4 minuto de leitura
JACKSONVILLE, FL - MAY 09: General view of the stadium as Justin Gaethje of the United States climbs the cage after defeating Tony Ferguson of the United States in the Interim lightweight title fight during UFC 249 at VyStar Veterans Memorial Arena on May 9, 2020 in Jacksonville, Florida. (Photo by Douglas P. DeFelice/Getty Images)
UFC 249 foi realizado sem público em Jacksonville, na Flórida, no dia 9 de maio de 2020 (Douglas P. DeFelice/Getty Images)

Por Dan Wetzel, do Yahoo Sports

O octógono estava cercado de olhos e máscaras. Não havia plateia.

"Estranho", afirmou o narrador do UFC, Jon Anik.

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"Não faz sentido", disse Daniel Cormier, outro membro da equipe de transmissão em distanciamento social.

E não precisava fazer sentido. Após mais de oito semanas sem eventos esportivos ao vivo nos Estados Unidos, com exceção do turfe (corrida de cavalos), o UFC 249 veio preencher o vazio deixado pelo coronavírus, oferecendo uma distração bem-vinda, um pouco de normalidade e uma noite de luta no sábado.

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Foram 11 lutas, 5 submissões técnicas, 2 lutas por cinturão e um anúncio de aposentadoria (do grande Henry Cejudo). Foi um excelente entretenimento, o esporte original do ser humano – o combate – em ação em meio ao desafio global que estamos enfrentando.

Mas o resultado mais importante, o veredito do Ultimate Fighting Championship, acontecerá nas próximas semanas, quando será determinado o impacto desse evento na disseminação do coronavírus.

O lutador do card preliminar Ronaldo "Jacaré" Souza e dois membros de sua equipe testaram positivo para Covid-19 na sexta-feira. Eles eram assintomáticos. E o brasileiro foi retirado do card. Os três estavam em quarentena voluntária.

O show continuou, conforme o planejado. E, se o vírus ficar restrito a Souza e sua equipe (ou a um grupo relativamente próximo), essa não será apenas uma vitória para o presidente do UFC, Dana White, e sua empresa, mas também para outros esportes que querem retomar as atividades.

"Acho que o resultado foi ótimo", afirmou White à ESPN. "O sistema que foi estabelecido funcionou. Descobrimos que [Souza] estava infectado, e todos os outros testes deram negativo. Faremos mais de 1.100 testes nesta semana (com os dois cards adicionais que acontecerão nos próximos sete dias). Com essa quantidade de testes, com certeza encontraremos outros positivos."

Alguém teria que voltar primeiro, e o UFC se mostrou disposto a assumir essa responsabilidade. Mas talvez mais impactantes que o próprio retorno seja o fato de a presença de um teste positivo não ter jogado tudo por água abaixo. Se esse plano foi prejudicial ou não para a saúde pública é um debate para outras pessoas. Para o mundo dos esportes, foi um marco.

Se a NBA voltar, alguém vai testar positivo. E o mesmo acontecerá na NFL, no beisebol, no futebol americano universitário, no hóquei e em qualquer outro. Certamente terão testes positivos. O vírus tem uma alta capacidade de contágio, e são muitos atletas, treinadores e equipes de apoio. Nenhum sistema conseguirá eliminar o vírus completamente.

A questão é: um teste positivo é o suficiente para que toda uma equipe ou liga fique mais 14 dias em quarentena? Ou podemos apenas isolar esse caso e continuar?

O UFC escolheu a segunda opção. O resultado no curto prazo foi espetacular, uma noite com lutas excelentes.

Agora, todos estão atentos a o que acontecerá no longo prazo. Não precisa ser fã de MMA para se importar com os próximos desdobramentos. Se o resultado geral for positivo e o número de pessoas infectadas pela Covid-19 na esfera do UFC permanecer baixo, a NBA, a NFL e outros esportes ganham uma certa força.

No entanto, um pequeno novo surto do vírus no UFC 249, que transformou o VyStar Veterans Memorial Stadium de Jacksonville em uma verdadeira arena, também mostra força, mas não no bom sentido, se o objetivo é voltar a ver futebol americano no segundo semestre do ano.

Nenhuma liga baseará suas decisões apenas no UFC desse final de semana. A organização se esforçou para aumentar a segurança e o distanciamento, mas ocorreram falhas óbvias na execução. Elas vão afetar o que acontece no longo prazo? Veremos.

Se não houver impacto na saúde, se a estrutura realmente funcionou bem, essa poderá ser a conjuntura ideal para que uma equipe de basquete ou até mesmo uma grande equipe de futebol americano pense em fazer o mesmo. O UFC deu um exemplo de que um teste positivo não deve acabar com todo o experimento e que é possível promover eventos de forma relativamente segura.

É um dado que temos. Um dado importante.

Ainda não sabemos todas as consequências, é claro. Por enquanto, só especulações.

Talvez daqui a duas semanas vejamos isso como uma vitória ou tenhamos que voltar a propor alternativas para o esporte.

As previsões a respeito do coronavírus se mostraram ineficazes na maior parte das vezes, então, o melhor a fazer é esperar e acompanhar o resultado mais importante da noite de sábado.

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