U. de Chile já rendeu sapatos a Rivellino e sofreu gol de Edmundo

Os jogos pela primeira fase da Copa Sul-Americana de 2017 serão o quarto e o quinto da história entre Corinthians e Universidad do Chile. Os anteriores, com duas vitórias para o time brasileiro e uma para o chileno, foram marcados por reverências a Rivellino em Santiago e pela disposição demonstrada por Edmundo, ídolo do rival Palmeiras, em uma Copa Libertadores da América.

Roberto Rivellino era o grande destaque do Corinthians que viajou ao Chile para disputar um torneio hexagonal, em 1969, com as participações do argentino San Lorenzo, do russo Dínamo Moscou, do sérvio (então iugoslavo) Estrela Vermelha e dos locais Colo Colo e Universidad de Chile.

Após empatar por 1 a 1 com o San Lorenzo, o Corinthians teve em 18 de janeiro o seu primeiro confronto da história com La U. E deixou uma boa impressão em Santiago. Com gols de Benê e Tales, o time dirigido por Dino Sani derrotou os chilenos por 2 a 0 e viu Rivellino e Dirceu Alves serem eleitos os melhores jogadores da rodada dupla do dia – Dínamo Moscou e Estrela Vermelha haviam empatado por 1 a 1.

O prêmio entregue pelos chilenos a Rivellino e Dirceu Alves foi curioso: pares de sapatos no valor de US$ 25 cada. O Corinthians também se calçou para recompensar o elenco que fez o clube virar notícia positiva na América do Sul, desembolsando US$ 70 como bicho pela vitória sobre o Universidad do Chile.

Graças àquele triunfo, o Corinthians recebeu convites para excursionar também por Viña del Mar e Antofagasta. Em Santiago, o time já se sentia à vontade. Rivellino, por exemplo, encontrou o famoso goleiro russo Lev Yashin, do Dínamo Moscou, no saguão do hotel onde as delegações estavam hospedadas e não se intimidou em puxar conversa. Com o auxílio de um tradutor, o Aranha Negra disse que o meia brasileiro tinha potencial e despediu-se com um “obrigado”, em português.

Estigmatizado por não ter sido campeão de um torneio expressivo pelo Corinthians, no entanto, Rivellino também não levantou o troféu do hexagonal de Santiago. A equipe vitoriosa sobre La U perdeu por 4 a 2 para o Colo Colo, que ficou com o título, empatou por 1 a 1 com o Dínamo Moscou e foi derrotada por 2 a 1 pelo Estrela Vermelha.

Por outro lado, o duelo com o Universidad de Chile naquela viagem se manteve por quase 30 anos como o único na história do Corinthians. Os dois clubes só voltaram a cruzar os seus caminhos na Libertadores de 1996, pelo grupo 4, que tinha também Botafogo e Colo Colo.

Naquele ano, o Corinthians contava com um jogador que fez sucesso no grande rival como um dos seus destaques – o atacante Edmundo, recebido com festa no Parque São Jorge (havia estreado em uma vitória por 2 a 1 sobre o Coritiba, em 25 de janeiro, no Pacaembu, substituindo o ídolo Luizinho, então com 65 anos).

E foi Edmundo quem mais se revoltou com a primeira – e única, até hoje – derrota corintiana para o Universidad de Chile. Em 22 de março, três dias depois de fazer 3 a 2 sobre a Universidad Católica, o Corinthians do técnico Eduardo Amorim visitou La U e adotou uma postura extremamente cautelosa, contentando-se com um empate. Perdeu por 1 a 0, com gol de Rodrigo Goldberg.

“Jogamos pensando primeiro em não perder, com todos marcando, mas tínhamos condições de ter vencido aqui, no Chile”, chiou Edmundo, um dos poucos inconformados com a derrota. Eduardo Amorim não deixou por menos: “Faltou o Edmundo ter aproveitado a chance que teve no segundo tempo. O jogo foi muito igual”.

No reencontro com o Universidad de Chile, no Pacaembu, Edmundo não desperdiçou a sua nova oportunidade de marcar um gol. Foi ele quem abriu o placar no jogo de 16 de abril. Lançado entre os zagueiros visitantes por Leonardo, o Animal invadiu a área e bateu cruzado para acertar a rede. Comemorou com a torcida, no alambrado do Pacaembu.

O companheiro de ataque de Edmundo se sobressaiu ainda mais. Leonardo – que jogaria no Palmeiras, viraria ídolo do Sport e morreria aos 41 anos, em 2016, vítima de neurocisticercose – marcou dois gols na etapa complementar. No primeiro, aproveitou uma bicicleta furada de um defensor para arrematar. No segundo, beneficiou-se de grande jogada de Marcelinho Carioca. Goldberg descontou para os chilenos.

Ainda sob o trauma de jamais ter sido campeão continental, que só seria findado em 2012, aquele Corinthians parou no Grêmio, nas quartas de final da Libertadores. O Universidad de Chile foi além, sendo batido pelo campeão River Plate, da Argentina, nas semifinais.

Dos confrontos com o Corinthians na fase de grupos, ficou o respeito. Antes de pisar no Pacaembu, o goleiro argentino Vargas, de La U, atentou à qualidade de Marcelinho Carioca para “as cobranças de falta, os chutes de longe, os dribles desconcertantes e os cruzamentos precisos”. Já o técnico Miguel Ángel Russo, também da Argentina, que dispunha do astro Marcelo Salas em seu elenco, admitiu que armou o seu time para empatar em São Paulo, tal qual havia feito Eduardo Amorim em Santiago.

1960

Nove anos antes de Rivellino e Dirceu Alves ganharem sapatos em Santiago, o Corinthians já havia ido à capital chilena e enfrentado alguns jogadores do Universidad de Chile. Naquele 28 de janeiro, entretanto, La U fez uso de um combinado com atletas da rival Universidad Católica para jogar contra o time brasileiro.

O Corinthians ganhou de forma contundente, por 4 a 2, com gols de Joaquinzinho (2), Bataglia e Zague. Díaz e Fouilloux diminuíram, e o goleiro Cabeção ainda defendeu um pênalti cobrado por Leonel Sánchez.