Twitter tira do ar post de Trump por promover desinformação sobre novo coronavírus

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Foto: JIM WATSON/AFP via Getty Images
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Um vídeo que mostra um grupo de médicos fazendo alegações falsas e duvidosas relacionadas ao novo coronavírus foi removido pelo Facebook, Twitter e YouTube depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhá-lo com seus 84 milhões de seguidores no Twitter nesta segunda-feira à noite e o vídeo viralizar.

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O conteúdo é contrário ao que defendem especialistas em saúde pública, incluindo do governo americano, e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Agora, na conta de Trump há um aviso de tuite removido no lugar da mensagem.

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O vídeo, publicado pela Breitbart News, site de notícias de extrema direita, mostra um grupo de pessoas vestindo jalecos brancos, que se autodenominavam "Médicos da Linha de Frente da América", realizando uma conferência de imprensa em frente ao Supremo Tribunal dos EUA, em Washington.

Uma palestrante faz uma série de alegações duvidosas, incluindo que o uso de máscaras é desnecessário para impedir a disseminação do novo coronavírus e que estudos recentes mostrando que a hidroxicloroquina é ineficaz para o tratamento da Covid -19 são "ciência falsa", patrocinada por "empresas farmacêuticas falsas".

—  Este vírus tem cura, é chamada de hidroxicloroquina, zinco e zitromax —  afirma a mulher. — Você não precisa de máscaras, há uma cura.

As alegações são contrárias a vários estudos sobre a droga anti-malárica e conselhos de autoridades de saúde pública para impedir a propagação do vírus.

O vídeo rapidamente se tornou viral no Facebook, tornando-se um dos posts com melhor desempenho na plataforma, com mais de 14 milhões de visualizações antes de ser retirado na noite de segunda-feira por promover desinformação. Foi compartilhado quase 600 mil vezes, de acordo com a Crowdtangle, uma empresa de análise de dados de propriedade do Facebook.

— Removemos este vídeo por compartilhar informações falsas sobre curas e tratamentos para a Covid-19 — disse um porta-voz do Facebook à CNN, acrescentando que a plataforma está "mostrando mensagens no Feed de Notícias para pessoas que reagiram, comentaram ou compartilharam informações falsas sobre a Covid-19.

O Twitter trabalhou para retirar o vídeo na noite desta segunda-feira, depois que Trump compartilhou versões do vídeo que reuniram centenas de milhares de visualizações. E na manhã desta terça-feira, as imagens já não podiam mais ser acessadas.

— Estamos tomando medidas em conformidade com nossa política de informações erradas sobre a Covid-19 —, disse um porta-voz do Twitter à CNN.

O vídeo também foi removido pelo YouTube, onde foi visto mais de 40 mil vezes. Os usuários que tentaram acessar o vídeo na segunda-feira foram recebidos com uma mensagem dizendo que ele havia sido removido por "violar as Diretrizes da comunidade do YouTube".

Tanto a Casa Branca como a Breitbart News e o grupo de médicos que fizeram o vídeo ainda não se manifestaram sobre o episódio. O site mantém o vídeo em sua plataforma.

De acordo com o site America's Frontline Doctors, o grupo é liderado pela Dra. Simone Gold, especialista em medicina de emergência em Los Angeles, que já havia sido destaque em matéria na Fox News por causa de declarações como a de que o isolamento social era prejudicial.

Em maio, Gold disse à agência de notícias Associated Press que era contra a ordem de ficar em casa porque "não havia base científica para que o americano comum se preocupasse" com a Covid-19.

De acordo com o levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins, os EUA registram mais de 4 milhões e 290 mil casos confirmados. Os norte-americanos ultrapassaram recentemente a marca dos 148 mil óbitos pela Covid-19.

Eduardo Bolsonaro apoia reeleição de Trump e acaba repreendido

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi repreendido após compartilhar um vídeo em apoio à reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Eliot Engel, presidente da Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos, afirmou que a família Bolsonaro deve ficar “de fora” do pleito eleitoral norte-americano, previsto para ser realizado no início de novembro.

Deputado pelo partido Democrata, Engel criticou um vídeo publicado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no qual o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pede “Trump 2020”.

Na resposta, Engel começa afirmando que "Já vimos este filme antes", algo que classificou como "vergonhoso e inaceitável". “A família Bolsonaro precisa ficar DE FORA das eleições dos EUA”, concluiu o deputado.

Responsável pela legislação e supervisão da política externa do país, a Comissão é formada por maioria democrata. O episódio demonstra o desgaste do governo Bolsonaro no âmbito da política externa.

***Com informações do Extra

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