Tunísia corre o risco de ser banida da Copa do Mundo no Catar

Tunísia enfrenta França, Dinamarca e Austrália no Grupo D da Copa do Catar. Foto: Marcio Machado/Eurasia Sport Images/Getty Images
Tunísia enfrenta França, Dinamarca e Austrália no Grupo D da Copa do Catar. Foto: Marcio Machado/Eurasia Sport Images/Getty Images

A Tunísia pode ser excluída da Copa do Mundo do próximo mês no Catar se o governo do país interferir nos assuntos do futebol. O alerta foi feito pela Fifa que lembrou que federações membros da entidade devem estar livres de interferências legais e políticas.

O alerta vem após repetidos comentários do ministro da Juventude e Esportes da Tunísia, Kamel Deguiche, sobre a possibilidade de "dissolver escritórios federais".

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A Fifa considera sua declaração uma tentativa de se intrometer no funcionamento da federação de futebol do país (FTF), e pediu esclarecimentos sobre tentativas de interferência em seus assuntos internos e ameaças de dissolução de seu escritório.

A organização com sede em Zurique também lembrou à FTF que as associações membros são "legalmente obrigadas a conduzir seus negócios de forma independente e sem influência indevida de terceiros".

"Qualquer descumprimento dessas obrigações pode resultar na imposição de penalidades sob as leis da Fifa, incluindo a suspensão da associação relevante", disse uma carta de Kenny Jean-Marie, diretor de associações membros da Fifa, ao secretário-geral da FTF, Wajdi Aouadi.

Uma possível proibição da Fifa significaria que nenhum clube ou seleção da Tunísia pode jogar em competições continentais ou internacionais.

No próximo mês, os campeões africanos de 2004 enfrentarão a França, Dinamarca e Austrália, campeãs da Copa do Mundo, no Grupo D do Catar.

Os tunisianos nunca passaram da fase de grupos em cinco jogos anteriores em Copas do Mundo e abrirá sua campanha contra os dinamarqueses em 22 de novembro.

A Fifa deu ao FTF até sexta-feira para responder sobre sua posição após os comentários do ministro.

Graves acusações foram feitas à FTF nos últimos tempos, com um lado do clube, Chebba, acusando o órgão e seu presidente, Wadie Jary, de enganar conscientemente o Tribunal Arbitral do Esporte em abril de 2021 - antes da decisão do mais alto órgão legal do esporte em favor do clube no final daquele ano.

A Fifa já agiu este ano sobre outros casos de interferência governamental no futebol, com a dupla africana Quênia e Zimbábue atualmente cumprindo suspensões.

A Índia também foi banida em agosto por "influência indevida de terceiros", colocando em dúvida a sede da Copa do Mundo Feminina Sub-17 deste mês, mas a Fifa voltou atrás no mesmo mês.