Treinador garante erro tático de AJ no UFC 210: "Só havia uma estratégia"

No último sábado (8), Daniel Cormier e Anthony Johnson protagonizaram uma revanche valendo o cinturão dos meio-pesados (93 kg) no UFC 210, em Nova York (EUA), e a história se repetiu: assim como no primeiro duelo, o campeão levou a melhor e finalizou o oponente com um mata-leão. No entanto, dessa vez, quem assistiu ao combate certamente estranhou a tática adotada por ‘Rumble’. Isso porque, o ex-lutador do WSOF, famoso por conseguir nocautear qualquer um com seus potentes socos, simplesmente abriu mão da trocação para entrar em um jogo de grappling com o ex-capitão da seleção olímpica de wrestling dos EUA. E, de acordo com o treinador de AJ, essa não era a estratégia traçada para encarar DC.

Durante uma entrevista no programa ‘The MMA Hour’ nesta segunda-feira (10), Henri Hooft ressaltou que, de todos os erros que o seu pupilo poderia cometer, lutar wrestling ou deixar Cormier encurtar a distância seriam os mais fatais. Na opinião do treinador, a partir do momento em que Johnson deixou o campeão se aproximar ele possibilitou que DC encaixasse o seu jogo.

“Só havia uma estratégia que era não entrar em um duelo de wrestling e manter a distância do DC. A força dele [AJ] está no seu jogo em pé, na sua trocação. Se você olhar o córner verá que ninguém queria que ele se aproximasse do DC, porque dessa forma ele estaria fazendo o jogo que o Cormier queria”, declarou.

Apesar da derrota e do nítido erro tático cometido por Johnson no duelo, Hooft fez questão de livrar a pressão de seu pupilo. De acordo com o treinador, muitas vezes um lutador é compelido a tomar uma decisão em uma fração de segundos, durante um duelo. E, assim como a escolha pode ser positiva, ela também pode ser negativa – como foi o caso de AJ.

“Às vezes acontecem coisas que ninguém sabe explicar, apenas o lutador. O treinador não sabe explicar, o público não sabe explicar. Apenas o lutador sabe o que levou ele, naquele momento, a fazer aquilo, cometer aquele erro ou executar algo positivo. Às vezes as coisas passam pela cabeça dos lutadores e não é algo fácil de explicar. Você pode ter o melhor treinador do mundo, os melhores companheiros de equipe, mas quando você entra no cage e as portas se fecham, é você que tem que fazer as coisas e tomar as decisões. Muitas vezes não tem a ver com a estratégia. Acontece quando você está sozinho com o seu adversário e você tem que tomar uma decisão sozinho ali na hora. Talvez ele até já estava pensando na aposentadoria. Nós não sabemos o que passa pela cabeça do lutador naquele momento. Mas o que eu sei é que, como treinador, fiquei surpreso com o que aconteceu lá, porque ele pode fazer muito melhor do que fez naquela noite. Mas novamente, quem luta é o lutador e ele sabe melhor que ninguém o que tem que fazer”, afirmou.

Após sofrer a segunda derrota da carreira pra Cormier, Johnson anunciou a sua aposentadoria do MMA ainda dentro do octógono: “Eu amo vocês. Fiz bastante pelo MMA, mas cansei de levar socos. Me comprometi com outro emprego há algum tempo e é algo que eu quero fazer”.