Como o coronavírus vai transformar para sempre o varejo

Foto: Getty Images
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Por Matheus Mans

Com a intensificação do novo coronavírus e a imposição do isolamento social, o varejo teve que se adaptar. Com as portas totalmente fechadas para o público, a única saída viável para manter algum faturamento era por vias digitais. O setor passa por uma transformação que deve se manter após a crise.

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Exemplo disso é a disparada de compras online. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas online apresentaram um aumento de 180% em transações nas últimas semanas. O faturamento do e-commerce atingiu R$ 20,4 bilhões, representando uma alta de 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

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“A transformação digital nasce com o consumidor, que está se relacionando mais com as empresas de modo digital. Se as empresas se afastam da transformação digital, se afastam do consumidor”, afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. “Com isso, a transformação digital deve andar cinco anos em cinco meses”.

Processo de digitalização

Com esse movimento, varejistas começam a abraçar startups que trazem inovações mais rapidamente para os processos das empresas. Afinal, em um momento de crise como a causada pelo coronavírus, é inviável que empresários desenvolvam as próprias tecnologias do zero. É preciso encontrar parceiros e contratar empresas que fornecem a digitalização.

A Olist, startup paranaense que conecta pequenos lojistas a plataformas como Amazon, Americanas e Mercado Livre, aumentou sua atuação, diminuiu as taxas e até mesmo construiu novas plataformas. A ideia é que, com isso, comerciantes que ainda estavam presos no digital se sintam mais seguros em fazer essa “virada de chave" no negócio.

E isso vai além do comércio físico tradicional: a startup, junto com a prefeitura de Curitiba, criou uma vitrine virtual gratuita para que artesãos da cidade possam continuar operando.

Já a InfoGo possui uma plataforma completa de gestão de rotinas e automatização de processos. A ideia é que, a partir do preenchimento de formulários pela equipe, tudo vá direto para planilhas e pesquisas automáticas, geradas por inteligência artificial avançada, sem que nada precise ser criado. É a base para o início de um processo de digitalização.

“As empresas trabalharão de forma mais enxuta e, para isso, terão que passar pela digitalização de seus processos internos, não apenas do e-commerce, o que inclui as rotinas digitais”, afirma Marcus Tacoola, CEO da startup. “Este é  o momento perfeito para a empresa digitalizar rotinas, aumentando a produtividade e mantendo tudo documentado”.

Passos maiores

Outras startups olham para o momento depois dessa base digital. Empresas como Propz, Vito.ai e Dunnhumby levam tecnologias de ponta, como análise de dados, para o dia a dia do varejo. “A partir do início da transformação, o céu é o limite para as empresas”, diz Alberto Raias, professor de economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na plataforma da Vito.ai, por exemplo, uma inteligência artificial permite, rapidamente e de maneira quase automática, personalizar e otimizar a jornada de compra, fazer campanhas mais eficazes e com um custo menor, reduzir a intervenção humana em fatores variáveis como precificação e gestão, e, por fim, otimizar os investimentos em logística e transporte.

“Em um período de isolamento e trabalho remoto, é preciso de autonomia para que os diferentes departamentos de uma empresa tenham acesso rápido aos dados corretos para tomar decisões”, afirma Thiago Miranda, fundador da Vito.ai. “É um momento de grande oportunidade para o varejo. Ainda é possível se manter relevante para sobreviver à crise”.

Já a Propz chama a atenção para a relação com o consumidor. A startup, no caso, fornece uma série de ferramentas baseadas em inteligência artificial e análise de dados para ampliar o nível de inteligência do negócio com relação à promoções mais direcionadas ou, ainda, na forma de se relacionar diretamente com o cliente, de maneira mais acertiva.

Afinal, Israel Nacaxe, COO da startup, destaca a importância do relacionamento. “É importante que os lojistas apostem no relacionamento com o cliente e ofereça serviços personalizados e humanizados. Nesse momento, isso fará toda a diferença para o setor”, diz. “Surge um novo perfil de comprador e as marcas precisam aproveitar a oportunidade”.

Desafios e próximos passos

A partir disso, especialistas, varejistas e executivos acreditam que não há mais volta. O cenário que se pinta é que o varejo, depois dessa crise, será híbrido. É o chamado omnichannel. O consumidor deverá ter uma experiência que mistura digital e físico. As lojas, enquanto isso, também terão um background mais focada no online do que em planilhas.

“Acredito que os consumidores vão sair mais digitais da crise. E esta mudança do comportamento vai ditar as novas prioridades do varejo”, afirma Marcel Ghiraldini, executivo da Math Marketing, startup de digitalização e marketing para o varejo. “Toda grande pandemia mudou a sociedade. É um novo normal. Aposto que é o novo normal mais digital”. 

Flávia Villani, head da dunnhumby no Brasil, líder global em análise de dados, ainda chama a atenção para a Lei Geral de Proteção de Dados, que deve mudar ainda mais a configuração de todos os negócios -- inclusive do varejo, que analisa dados no mundo físico e digital -- e apontar ainda para caminhos no futuro. Afinal, a partir disso, muito pode mudar.

“Com a implementação de novas leis de proteção de dados, o cliente é quem exigirá o melhor uso das suas informações”, afirma a executiva da  dunnhumby no Brasil. “A postergação da implementação da LGPD para agosto de 2021 deu mais um tempo para nos prepararmos para o que vem por aí. E mais uma vez, quanto antes começarmos, melhor”.

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