Após tragédia e reserva, Camacho pode se reerguer no Corinthians

O volante Camacho terminou 2016 como uma das poucas boas novidades do Corinthians e entrou com bastante expectativa na atual temporada. Após a Copa Flórida, porém, perdeu a posição de titular para Fellipe Bastos ainda na pré-temporada e, quando teria suas primeiras chances, sofreu com a perda do pai, Anízio Camacho, abalando bastante o seu psicológico. Agora, diante da ausência de Rodriguinho, pode ser titular da equipe na final do Campeonato Paulista, neste domingo, contra a Ponte Preta, em Itaquera, e tenta se reerguer no Timão.

A tragédia que devastou a família do corintiano se deu no dia 19 de fevereiro. Naquela ocasião, Anízio estava com a mãe e o irmão do atleta em um elevador na residência da família, no Rio de Janeiro, quando o equipamento acabou desabando e ele não resistiu aos ferimentos. A mãe e o irmão do atleta, que é cadeirante e foi o motivo da instalação de um elevador na casa, recuperaram-se dos ferimentos e são parte importante na recuperação psicológica do jogador.

Além deles, outras duas pessoas são vistas como fundamentais por pessoas próximas no reerguimento do meio-campista: a mulher, Vanessa, e o filho Rodrigo, que fez um ano de vida na última segunda-feira. “Que Deus possa te abençoar cada vez mais e que continue me dando a força que preciso para seguir em frente”, disse o jogador na legenda da foto em que comemorava a data.

Essa, aliás, foi a primeira imagem compartilhada pelo atleta desde a perda do pai, algo que motivou muitas mensagens de carinho dos companheiros ao jogador. A maior delas se deu em uma faixa estendida justamente antes do clássico contra o Palmeiras.  “Força, Camacho” dizia o informe segurado tanto pelos alvinegros quanto pelos palmeirenses.

Camacho, por sinal, possivelmente seria titular naquela partida, seguindo o exemplo do que ocorreu com o centroavante Kazim. Membro da equipe inicial pela primeira vez em jogos oficiais diante do Audax, no sábado, dia 18 de fevereiro, Camacho teve boa atuação, dando o passe para o gol do turco. Com isso, colocou uma dúvida na cabeça de Carille a respeito da função de segundo volante, ainda ocupada por Bastos naquela ocasião.

Com a sua liberação para recuperar-se da perda, porém, o meio-campista viu Maycon, até então a serviço da Seleção sub-20, ser alçado ao posto de titular pelo comandante no Derby e, a partir dali, não perdê-lo mais. Quase três meses depois, Camacho tenta recuperar esse espaço perdido.

A despeito da parte emocional, o técnico Fábio Carille vê no jogador a possibilidade de um controle maior da posse de bola, voltando ao esquema 4-1-4-1. A ideia é não deixar a Macaca impor pressão no ataque dentro do estádio de Itaquera, aproveitando a boa qualidade de passe do meio-campo, principalmente com a ajuda da dupla Maycon e Jadson.

“O Rodriguinho chega mais na área, Camacho é um jogador que roda bem a bola, são características diferentes. Infelizmente a gente não pode contar com Rodriguinho nem com o Gabriel. Esperamos contar com o Fagner, mas tem que ver a força do grupo. Quem o professor optar por jogar vai fazer um grande jogo”, comentou o goleiro Cássio.

A confirmação da presença de Camacho só sairá entre sexta-feira e sábado, quando Carille costuma separar os seus titulares para trabalhos específicos de posicionamento e bola parada. O concorrente mais forte pela vaga é Clayton, que deixaria o time mais ofensivo, mas o avante deve ser apenas opção para o segundo tempo.