Trabalhadores estrangeiros se reúnem para assistir a Copa do Mundo em zona industrial do Catar

Copa do Catar

Por Maya Gebeily e Charlotte Bruneau

DOHA (Reuters) - Tirando selfies das arquibancadas e sentados no gramado, milhares de trabalhadores imigrantes se reuniram em um estádio de Doha para assistir à partida de abertura da primeira Copa do Mundo no Oriente Médio.

A zona especial para torcedores montada na área industrial na periferia da cidade inclui um estádio com uma tela gigante e outra montada do lado de fora para uma multidão. O local fica ao lado de vários campos de trabalhadores onde vivem muitas das centenas de milhares de operários de baixa renda do Catar.

"Estamos aqui para aproveitar nosso suor agora", disse Ronald Ssenyondo, um ugandense de 25 anos que torcia pelo Catar no domingo.

Ele está no Catar há dois anos, trabalhando longas horas sob o sol para terminar os estádios onde o torneio está sendo realizado.

"Estou impressionado com as coisas que estou vendo agora", disse ele.

O rico país produtor de gás é o lar de 2,9 milhões de pessoas, a grande maioria das quais são trabalhadores estrangeiros, desde operários da construção civil de baixa renda até executivos poderosos.

Grupos de direitos humanos acusaram as autoridades de não proteger os trabalhadores de baixa renda, incluindo aqueles que construíram os estádios e hotéis para receber os torcedores da Copa do Mundo, do excesso de trabalho, salários não pagos e más condições de vida.

O governo diz que promulgou reformas trabalhistas, incluindo um salário mínimo mensal de 1.000 riais do Catar, ou cerca de 275 dólares, mais do que muitos podem ganhar em seu país.

Os ingressos para o jogo de abertura custam em média 200 dólares, mas a zona industrial da torcida era gratuita. Milhares se aglomeraram para torcer pelo Catar no domingo, lamentando quando a partida terminou com a vitória do Equador por 2 x 0.

Alguns disseram à Reuters que é o mais próximo que chegarão de um jogo durante todo o mês.

"Estou apoiando meus irmãos e irmãs na Etiópia enviando dinheiro de volta, então estou vindo para cá porque os ingressos são demais", disse Ali Jammal, de 26 anos, que trabalha no Catar há cinco anos.

(Reportagem de Maya Gebeily e Charlotte Bruneau)