Três anos após tragédia, ex-TUF Brasil promete título do Bellator e casa para mãe

Derrotado por Hugo 'Wolverine' na luta que valia contrato com o UFC, John 'Macapá' voltou para eventos nacionais e, após vencer quatro e empatar uma, assinou com o Belltor, onde venceu os três desafios que travou - Divulgação

Era outubro de 2013, quando o lutador John Teixeira estava de passagem pelo bairro de Perpétuo Socorro, em Macapá, e recebeu a notícia de que a casa de sua mãe foi atingida pelo incêndio que deixou cerca de 800 desabrigados na região. O momento delicado, porém, foi superado com a ajuda da equipe que na época o acabara de acolher, e que hoje é apontada como sua segunda família.

Depois da frustração de ser eliminado do TUF Brasil 1 e perder o duelo no UFC que poderia lhe render um contrato com a organização, John ‘Macapá’ decidiu, no final de 2012, se mudar para o Rio de Janeiro e treinar com feras como José Aldo, Renan ‘Barão’ e Eduardo Dantas. A recepção na Nova União, no entanto, nada lembraria a atitude do time que um ano mais tarde tratou de levantar fundos para ajudar seus familiares na região Norte do País.

“Era praticamente a realização de um sonho poder treinar com campeões como eles. Aldo, Barão, Marlon… eu já acompanhava o trabalho deles. No começo foi difícil, eu era um desconhecido na casa deles e eu ficava no meu canto. Depois, fui conquistando o respeito deles e eles me abraçaram como um irmão”, relatou em conversa por telefone com a reportagem da Ag. Fight.

Após o incêndio que pulverizou mais de 200 residências, a família de John fez parte do grupo que recebeu ajuda de um programa do Governo Federal para garantir moradia aos atingidos pela tragédia. No entanto, com poucos móveis à disposição e com um aluguel a ser pago, a mãe do atleta precisou contar com a ajuda da família de lutadores que havia acolhido John no Rio de Janeiro, onde já morava e treinava.

“Passei por essa situação lá. O time acabou me ajudando muito. Fizeram um seminário aqui para arrecadar fundos. eu já morava no Rio, mas tinha acabado de lutar e fui para lá visitar minha família e logo depois teve o incêndio. A galera conseguiu arrecadar fundos e eu entreguei tudo para a minha mãe poder se segurar, pagar o aluguel e essas coisas”, narrou, prometendo mudar de vida ainda este ano.

Embalado por quatro triunfos seguidos no Bellator, o atleta de 30 anos encara o alemão Daniel Weichel no próximo dia 14 de abril. E em caso de vitória, ele garantiu que o acordo verbal feito com a organização do show lhe garante o direito de disputar o cinturão dos pesos-penas (66 kg), hoje em poder do americano Daniel Straus, o que o colocaria mais próximo de um outro sonho.

“Já mereço essa luta pelo título, assim como ele. Essa luta, não só na minha visão e na dele [Weichel], mas muitos do MMA, deve definir o desafiante ao título. Se for ver, nos rankings mundiais meu nome sempre está ali entre os melhores. Demorei para vir para cá [Rio de Janeiro], mas estou sendo aperfeiçoado agora. Estou perto do cinturão, acordo e durmo pensando nisso. Um dia vai dar certo e vou poder comprar quantas casas minha mãe quiser”, finalizou.