Torcedores fazem pausa para orações de sexta-feira em primeira Copa sediada por país muçulmano

Vista de réplica do troféu da Copa do Mundo em Doha

Por Andrew Mills

DOHA (Reuters) - À medida que o meio-dia se aproximava, almuadéns em todo o Catar convocaram jogadores de futebol, torcedores e dirigentes muçulmanos para as orações da primeira sexta-feira de uma inédita Copa do Mundo em um país muçulmano.

Na mesquita Ibrahim al-Khalil, na baía oeste de Doha, com seu minarete imponente e portas de madeira esculpida, eles se reuniram para a oração congregacional semanal que muitos muçulmanos acreditam ser obrigatória.

Entre os fiéis estavam torcedores da Tunísia, Omã e Índia, um oficial uniformizado da Fifa, crianças vestidas com uniformes da seleção francesa e centenas de homens e mulheres de hotéis e prédios próximos.

Incomum para o futebol, os torcedores muçulmanos dizem que a Copa do Mundo do Catar os acomodou como nunca antes, com salas de oração nos estádios, concessões para vender comida halal e uma restrição para bebidas alcoólicas nos estádios.

"Vim para um país islâmico para participar da oração de sexta-feira... Isso é o que me deixa feliz nesta competição", disse Yousef al Idbari, um torcedor visitante do Marrocos.

O Islã se destacou durante a primeira semana do torneio com uma recitação do Alcorão, o livro sagrado do Islã, na cerimônia de abertura e traduções para o inglês de ditos e ensinamentos do Profeta Maomé exibidos em Doha.

No entanto, embora os muçulmanos que assistem aos jogos no Catar possam estar desfrutando de uma experiência de torcedor melhor do que antes, não está claro se esta Copa do Mundo mudará as coisas para eles a longo prazo.

O Catar tem enfrentado críticas de alguns países que disputam o torneio devido ao histórico de direitos de trabalhadores imigrantes, mulheres e da comunidade LGBTQ.

Por enquanto, os torcedores muçulmanos estão apenas curtindo um evento que atende às suas necessidades.

(Reportagem de Andrew Mills)