Torcedor do Brasil de Pelotas detido pela polícia está em estado grave

Rai Duarte, torcedor do Brasil de Pelotas, foi retirado do ônibus da torcida e, segundo testemunhas, agredido por policiais.
Rai Duarte, torcedor do Brasil de Pelotas, foi retirado do ônibus da torcida e, segundo testemunhas, agredido por policiais. Foto: (Reprodução/Redes Sociais)

Retirado pela Brigada Militar de um ônibus da caravana de torcedores do Brasil de Pelotas que deixou o sul do Rio Grande do Sul para acompanhar o duelo contra o São José pela Série C do Campeonato Brasileiro, Rai Duarte, de 33 anos, está internado em estado grave na UTI do Hospital Cristo Redentor, na capital gaúcha.

Imagens gravadas dentro do coletivo mostram alguns policiais fortemente equipados conduzindo Rai para fora do veículo e estas são as últimas imagens que se têm dele antes de dar entrada na instituição de saúde de Porto Alegre.

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Uma confusão entre as torcidas de São José e Brasil de Pelotas tomou conta das arquibancadas do Estádio Francisco Novelleto Neto, após o apito final, quando torcedores do clube mandante roubaram faixas da torcida organizada do Brasil, que invadiu o setor que não lhes era destinado para recuperar o material.

Quando já se preparavam para deixar Porto Alegre e voltarem para Pelotas, torcedores do Brasil relataram tortura por parte dos policiais: "Vieram dois caras com ele [(aí). O que cara que tirou ele, chegou, tirou o capacete e disse 'cadê tu, valentão?'. O pau pegou. Pensa em apanhar. Eles bateram muito. Bateram em nós também, mas bem menos que nele. Cassetete, gás de pimenta, tapas no rosto. Um chegou e disse que desde 1994 bate na torcida do Brasil e vai continuar batendo. A coisa funciona assim, ninguém vai mudar isso".

Outro relato, também de torcedor que não quis se identificar, dá conta de que policiais interferiram, também no depoimento dado pelos torcedores no hospital: "Depois dali nos levaram ao hospital. A gente ficou um baita tempo para ser atendido, e quando fomos atendidos o médico nos chamou na sala, acompanhados da polícia, algemados todo o tempo. O médico me fazia perguntas e quem respondia as perguntas era o policial. Três ficaram em observação. Os outros nove, incluindo eu, ficaram ali na frente. Começou a me dar um mal estar. Nos botaram dentro da viatura para ir até a delegacia. Do estádio até o hospital, eram seis pessoas dentro do porta-malas. Ficamos mais de meia hora, dentro da viatura, apertados, sem liberação".

Em nota publicada no perfil oficial do clube no Twitter, o Brasil de Pelotas prestou solidariedade ao torcedor e iniciou campanhas de arrecadação para auxiliar financeiramente a sua recuperação: "O Grêmio Esportivo Brasil, em toda sua história, lutou contra a violência dentro e fora de campo. É militante contra as desigualdades de todos os tipos e gêneros, razão pela qual o clube tem o maior orgulho. O Presidente Evânio entrou em contato com a família do torcedor Rai Duarte, e se colocou à disposição para qualquer tipo de ajuda. O GE Brasil torce para que Rai tenha a plena recuperação, e retorne ao seu lugar por direito: as arquibancadas torcendo pelo Brasil. Acompanharemos as investigações do caso para que a justiça seja feita. Por fim, o clube está no aguardo de uma reunião que será marcada pelo Presidente da FGF, Luciano Hocsman, com o comandante da Brigada Militar para o esclarecimento dos acontecidos".

A renda da partida contra o Remo, que será disputada no próximo sábado, terá porcentagem destinada a Rai Duarte.

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