Tite explica reação em gol corintiano na Arena e revela ligação a santistas

Bruno Cassucci e Marcio Porto

O técnico Tite concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira, antes do duelo entre Brasil e Paraguai pelas Eliminatórias para a Copa de 2018 na Rússia. Entre os assuntos abordados esteve a polêmica gerada por ele ter comemorado o gol do Corinthians no clássico contra o Santos na Arena Corinthians, no último dia 4 de março. Na ocasião, ele foi flagrado por câmeras de televisão vibrando no camarote da diretoria corintiana após Jô fazer o gol que decretou a vitória por 1 a 0. Tite disse que foi um gesto humano e revelou ligações para Modesto Roma e Dorival Júnior, presidente e técnico do Santos, respectivamente.

- Eu respeito todas as opiniões, todas, todas. Apenas explico: eu sou ser humano. Que tem emoções e gratidão. Tenho gratidão ao Corinthians e a essas pessoas (do camarote). Se fosse o Santos, eu faria exatamente a mesma coisa. Liguei ao presidente do Santos me desculpando, dizendo para interpretar como um ato humano, não como máquina. Também liguei para o Dorival Júnior pedindo que me entendesse e desculpasse - afirmou o técnico, campeão Brasileiro, da Libertadores e do Mundial, entre outros títulos, pelo Corinthians.

Sobre Seleção Brasileira, Tite reforçou que o time ainda tem muito a evoluir, apesar de ter vencido os oito jogos sob o seu comando e estar a um passo do Mundial. Isso acontecerá se o Brasil vencer o Paraguai nesta terça e Chile e Equador perderem na rodada.

Confira a entrevista coletiva do técnico da Seleção antes do duelo com os paraguaios:

Como fazer para acabar com o oba-oba?
Primeiro com naturalidade, não posso deixar com que os atletas fiquem felizes com o desempenho deles, também não vou ter essa alegria, essa satisfação. Assim como disse na última coletiva, as vitórias nos últimos jogos não facilitará em nada o enfrentamento contra o Paraguai, contra quem não vencemos os últimos quatro jogos, e que está buscando a classificação.

Desconfiança com jogadores que atuam na China

Tenho que respeitar as opiniões de cada um, só mostro meu trabalho. Acompanhamos 56 jogadores, e a Seleção está aberta lá (no Rio de Janeiro). Tem transparência. Está aí o caso do Mariano. Acompanhamos ele. Se alguém quer colocar o outro lado, vou fazer o que?

Por que decidiu fechar treinos?
Eu estou me adaptando, me reinventando na função de técnico da Seleção, estou aqui há pouco tempo. Enquanto técnico de clube, em alguns momentos oportunos eu também fechava. Entendi que agora era momento de ter privacidade, porque poderia gritar, ser duro, exigir concentração maior. A gente fica feliz em dividir alegria com o público, mas tem momento que vou dentro, sou mais duro. Isso não tem a ver com vocês (jornalistas). Mais ali na frente posso sentar com um representante de vocês e combinar uma situação que seja boa para todo mundo. Não quero cercear, mas tem momentos mais íntimos de jogada ensaiada, posicionamento defensivo. Jogamos (pelo Corinthians) contra o Nacional do Uruguai e quando entramos em campo eles estavam com um posicionamento neutralizando todas as nossas jogadas.

Análise do Paraguai
Ela alterna pressão, alta, média e baixa, tem essa capacidade, induz ao erro. A pressão baixa dela é muito concentrada, os homens fazem transição em saída de contra-ataque. Ou com Romero ou com Lezcano, também sob forma de triangulação. Tem bola parada forte também. Traz componentes fortes, que geram níveis de enfrentamento e de dificuldade altos.

O que ainda falta para a Seleção?
Uma equipe se forma e vai te mostrando, até em pequenos movimentos... Ela vai se mostrando. Teve jogos contra o Uruguai que o Coutinho foi importante aberto e flutuando, ele se sente à vontade dessa forma. A jogada de profundidade, o pivô pode fazer nas costas do Coutinho, mas não na do Neymar, pois tem que deixar o espaço para ele ter o um contra um. No ajuste de bolas paradas ofensivas eu procuro usar as funções que eles fazem nos clubes, para facilitar. No clube alguns marcam individual, outros setor, outros mista...

Elogios ao trabalho
Um elogio me marcou, o Cavani falou "o Brasil jogou como equipe". Fiquei com felicidade monstra. Quando isso acontece, uma hora as qualidades aparecem. Isso me marcou, ele (Cavani) sentiu em campo. Esse comentário me deixou feliz.

Qual adversário gostaria de ter como teste?
Não tenho acompanhado as Eliminatórias para analisar outras equipes, é um turbilhão muito grande. O Arce treinou com cinco jogadores diferentes. Talvez mais para frente eu consiga responder com maior profundidade. Agora é só nosso desempenho e o Paraguai.

Análise do time
Essa segunda parte ficou marcante porque aconteceu contra o Uruguai. Tem hora que o jogo é jogado e tem hora que é disputado, que a bola não é de ninguém. A equipe tem que ter sensibilidade para jogar de diferentes formas. Elas precisa entender esses mecanismos, tem hora que você controla o adversário, você não vai ter o domínio sempre. Uma palavra do Neymar me chamou a atenção: humildade. Humildade é como terra fértil, procurar crescer. É estar receptivo a crescer, melhorar, é isso que a gente quer.

Voltar à Arena Corinthians em grande fase pela Seleção
Quando eu dimensiono a responsabilidade de um cargo que teve Zagallo, campões do mundo, Parreira, Felipão, Feola, Aimoré... Poderiam ter dois campeões do mundo no meu lugar, se credenciaram, Abel Braga, Paulo Autuori, que fizeram trabalho extraordinário em clubes. Aí fico pensando em toda essa responsabilidade e faço assim "ai, é muito pesado". Mas depois falo: "vai trabalhar, vai para dentro do campo, cumpre sua responsabilidade". Tiro tudo e fico voltado só ao trabalho.

Sente-se um dos melhores técnicos do mundo?
Tenho para comigo mesmo não me comparar, senão sempre vou encontrar algo em que alguém é melhor que eu. Tento ser observador, ouvir, aprender... É um mantra que coloco comigo: é preciso saber, ver e entender. A partir daí eu oriento.

Neymar está perto de ser melhor do mundo?
Sim, são gerações diferentes, ele fez 25 anos agora. O Cristiano Ronaldo e o Messi estão de 30 para cima. Eles estão jogando em alto nível há tempos... Nessa geração eu vejo o Neymar.

Sobre questionamentos por convocar jogadores que atuaram com ele
Quando o cara fala assim para mim "ele convocou porque é queridinho dele" vocês não sabem como isso me dói, porque isso não é legal, é privilégio, se tem uma coisa que na minha vida procuro fazer é não dar privilégio. Tenho muito respeito.







































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