Inglaterra tem primeiro clube vegano da história do futebol

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The New Lawn, o estádio do Forest Green Rovers (Andrew Vaughan – CameraSport via Getty Images)
The New Lawn, o estádio do Forest Green Rovers (Andrew Vaughan – CameraSport via Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

O Forest Green Rovers pode não ter muitos troféus em sua galeria, mas ao menos uma conquista distingue o modesto time da 4ª divisão da Inglaterra do resto do mundo: trata-se do primeiro clube profissional ecologista e vegano da história do futebol. Em agosto deste ano, a equipe foi a primeira a ser certificada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como neutra em emissão de carbono. O título faz justiça à política adotada pelo FGR nos últimos anos.

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Apesar de se chamar Forest Green (Floresta Verde, em inglês), o clube fundado em 1889 em Nailsworth, uma pequena cidade de 7 mil habitantes localizada nas colinas de Costwolds (oeste da Inglaterra), só ingressou na causa ambiental na última década. Tudo começou a partir de 2010, quando Dale Vince assumiu o comando dos Rovers.

Antes de assumir a presidência do clube, Dale Vice foi de nômade a empresário ambientalista. Ele é dono e fundador da Ecotricity — uma companhia que gera energia eólica e solar — e, desde que passou a comandar o Forest Green Rovers, mudou a política dentro e fora de campo.

A primeira medida foi cortar a carne vermelha das refeições de jogadores e funcionários do clube. Peixe e produtos lácteos também foram retirados da lista. A mudança foi feita aos poucos e levou cerca de quatro anos até se enquadrar completamente nos preceitos do veganismo. Em seu estádio, o New Lawn, nada de pizza, cachorro quente ou hambúrgueres tradicionais. As comidas disponíveis aos torcedores seguem a mesma linha implantada por Dale Vice — há venda de hambúrguer vegetal ou alimentos à base de soja, por exemplo. Os atletas, embora tenham liberdade para consumir qualquer alimento fora das dependências do clube, são incentivados a aderirem à dieta vegana (sem o consumo de alimentos ou produtos de origem animal).

As iniciativas ambientais não param aí: a água usada é reciclada, painéis solares colocados no teto das arquibancadas são responsáveis por fornecer energia ao estádio, a grama orgânica do campo é adubada sem o uso de esterco animal e as ervas daninhas são retiradas com as mãos ao invés de utilizar herbicidas químicos. Em suma, toda dinâmica é baseada em políticas sustentáveis.

Nos arredores do New Lawn, a contribuição com o meio ambiente continua. O estacionamento conta com estações de abastecimento de energia disponíveis para que os torcedores que possuem carros elétricos possam carregar o veículo enquanto assistem ao jogo. O clube ainda pretende construir um novo estádio completamente de madeira e que abrigará um ecoparque nos próximos anos.

Tudo isso despertou a curiosidade em torno dos Rovers. Em maio de 2017, a Fifa apresentou o FGR em um vídeo em seu canal no YouTube como “o clube de futebol mais verde no mundo”. Nesse mesmo ano, o clube também chamou a atenção ao inscrever uma receita em um tradicional concurso de tortas no Reino Unido. O Forest Green ficou entre os três primeiros na disputa entre produtos vegetarianos.

A política e esforço adotados pelo Forest Green Rovers carrega uma mensagem. Para Dale Vince, é possível utilizar o futebol como ferramenta para construir um mundo diferente, atento às questões ambientais.

“Estamos descobrindo que a combinação de um clube de futebol com o meio ambiente é algo realmente especial”, disse Dale Vince em entrevista à ONU (UN Climate Change). “O trabalho que fazemos está repercutindo pelo mundo. Pessoas que têm interesse no meio ambiente, ou fãs de futebol que nunca viram um clube assim, se tornaram torcedores do FGR porque nós prestamos atenção nesses problemas. É uma nova combinação que está atraindo interesse de toda parte.”

“Sempre sentimos que os fãs de futebol são grupos de pessoas passionais. Se pudermos invocar o mesmo tipo de paixão que eles sentem pelos seus clubes para as questões do meio ambiente, podemos criar alguns ambientalistas apaixonados e motivar mudanças dessa maneira”, acrescentou Vince.

Mas engana-se quem pensa que o Forest Green está preocupado em fazer história apenas com as questões ambientais. Dentro de campo, a ambição do clube de Nailsworth também são grandiosas. Após chegar à League Two, equivalente à 4ª divisão do futebol inglês, pela primeira vez em sua história em 2017, os Rovers sonham em disputar a Championship (2ª divisão) nos próximos anos.

A considerar pelas valiosas conquistas ambientais do clube até aqui, tudo é possível.

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