Time da 5ª divisão da Inglaterra dá chance a ex-presidiários e reintegra jogadores no futebol

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(Foto: Reprodução/Instagram Southport FC)
(Foto: Reprodução/Instagram Southport FC)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Na hora de montar o elenco para a temporada, o Southport FC pensa em mais do que apenas na qualidade técnica dos jogadores. O time da 5ª divisão da Inglaterra tem se dedicado a uma causa bastante nobre na hora de contratar atletas: dar oportunidade a ex-presidiários. 

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A iniciativa partiu do técnico Liam Watson após 18 anos de trabalho em um hospital de alta segurança em Ashworth, nas proximidades de Liverpool, que trata de criminosos problemáticos. Foi a partir dessa experiência que ele decidiu ajudar ex-presidiários a terem novas oportunidades fora da prisão.

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“As pessoas cometem erros. Aqueles que mostram remorso genuíno, percebem que cometeram um erro e querem mudar, acho que deveriam ser admirados”, disse Watson em entrevista à BBC em setembro deste ano.

“Eles merecem uma segunda chance”, completou.

O caminho encontrado por Watson para essa segunda chance foi o futebol. O treinador passou a ser defensor de reinserir no esporte jogadores que tiveram passagens pelo sistema prisional.

Um deles foi o meia Russell Benjamin, de 28 anos. Em 2015, o jogador foi condenado a nove anos por tráfico de drogas. Nesta temporada, Russell assinou contrato de um ano com o Southport depois de cumprir metade da pena e deixar a cadeia sob custódia. 

Antes da prisão, o meio-campista era jogador do Stockport County. Hoje, retomou a carreira nos gramados e passou a se dedicar também em ajudar pessoas que enfrentam a mesma situação que ele passou.

“Southport parece a minha casa porque eles me ajudaram bastante”, agradeceu Benjamin. “Devo muito ao Liam porque sei que ele me deu uma segunda chance.”

“Tento ajudar outras pessoas que vejo seguindo o mesmo caminho que eu segui.”

Paddy Lacey, de 26 anos, também vive a mesma experiência de reintegração. Em maio de 2017, ele foi suspenso por 14 meses por violar as regras de antidoping - na ocasião, o meio-campista que defendia o Accrington Stanley testou positivo para benzoilecgonina, um metabólito da cocaína. Dois meses depois, Lacey foi preso por posse de drogas e dinheiro falso no Festival de Glastonbury, no Reino Unido.

Poderia ser o fim de uma breve carreira. Mas o destino colocou o Southport no caminho de Lacey, que assinou contrato até 2020 com a equipe.

“Quando as coisas dão errado, as pessoas geralmente dão as costas para você”, destacou Watson. “Trabalhar em Ashworth me deu uma visão de que mesmo pessoas boas podem cometer erros.”

Na última temporada, Watson contou ainda com Michael Kinsella, ex-goleiro da Liverpool Academy, como membro de sua comissão técnica. Preso em quatro ocasiões por tráfico de drogas, Kinsella trabalhou como treinador de goleiros no Southport.

Vale lembrar que, além do Southport, há outros clubes que se dedicam a causas sociais na Inglaterra. O Hackney Wick FC, por exemplo, é uma time criado por um ex-presidiário e surgiu com a missão de ajudar jovens da comunidade a se afastarem do crime.

Em Southport, as coisas parecem estar dando certo não só fora de campo, mas também dentro dele. A equipe que disputa a National League North, equivalente à quinta divisão do futebol inglês, está na parte de cima da tabela e briga por uma vaga para disputar o título desta temporada.

Independentemente dos resultados, o Southport carrega uma estrela de campeão.

“Se você gosta das pessoas, então as ajudará, sejam jogadores de futebol ou não”, resumiu Watson. “No fundo, todos cometeram erros em suas vidas, alguns foram maiores que outros.”

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