Palmeiras falha na técnica, mas vence a 1ª na Libertadores com gol no fim

São Paulo, 15 mar (EFE).- O futebol apresentado deixou a torcida na bronca, mas o Palmeiras insistiu até o último instante e conquistou a primeira vitória nesta edição da Taça Libertadores ao bater o Jorge Wilstermann por 1 a 0 no Allianz Parque, com gol marcado pelo zagueiro Mina aos 50 minutos do segundo tempo.

Pelas entrevistas dos técnicos às vésperas da partida, o que se esperava era um futebol ofensivo e duas equipes atacando bastante. Contudo, quem assistiu ao duelo em São Paulo viu muitos erros e pouco trabalho para os dois goleiros.

Até que no "apagar das luzes", para bronca do time boliviano, que considerou que o árbitro exagerou ao dar cinco minutos de acréscimo, Mina marcou um gol chorado e levou o Alviverde à liderança do grupo 5, com quatro pontos. O Wilstermann tem três, e, ao menos por enquanto, é segundo colocado. Ainda por essa chave, nesta quinta, o o Atlético Tucumán, com um ponto, visitará o Peñarol, que ainda não pontuou.

O campeão continental de 1999 voltará a jogar pela Libertadores no dia 12 de abril, novamente em seu estádio, desta vez para enfrentar o representante uruguaio.

Eduardo Baptista promoveu três alterações no Palmeiras em relação ao empate com o Tucumán em 1 a 1, há uma semana. Expulso na Argentina, Vitor Hugo foi substituído por Edu Dracena. No meio-campo, Tchê Tchê voltou aos titulares na vaga de Thiago Santos, enquanto Keno foi sacado para a entrada de Guerra.

No Wilstermann, a principal baixa foi o atacante Gabriel Ríos, expulso na goleada sobre o Peñarol por 6 a 2 na primeira rodada. O time contou com dois brasileiros, o zagueiro Alex Silva, ex-jogador de São Paulo, Cruzeiro e Flamengo, entre outros, e o meia Thomaz, campeão catarinense pelo Avaí em 2009.

Na tentativa de se impor desde o começo dentro de casa, o atual campeão brasileiro assustou logo aos três minutos do primeiro tempo. Dudu virou o jogo da esquerda para a direita até Michel Bastos, que ajeitou de peito para Jean chutar para fora.

O técnico dos visitantes, Roberto Mosquera, havia prometido ofensividade por parte de sua equipe, que tentou corresponder aos nove. Thomaz levantou em cobrança de falta, Morales cabeceou e acertou Mina, que ia marcando contra, mas foi salvo pelo goleiro Fernando Prass. Tchê Tchê respondeu arriscando de longe, aos 11, mas isolou.

O domínio territorial era do Alviverde, que, no entanto, não conseguia levar perigo ao goleiro Olivares. Aos 20 minutos, na melhor finalização do time paulista até então, Edu Dracena tirou tinta da trave, mas foi flagrado em posição irregular. Em seguida, aos 26, Jean passou para Guerra, que cruzou para Borja. O colombiano girou com estilo, mas pegou mal na bola.

A promessa de um futebol ofensivo do representante boliviana esbarrava em erros de execução. Aos 35, Machado carimbou a barreira na falta. Thomaz recolheu, levantou e deu nas mãos de Prass.

Logo na sequência, aos 37, Michel Bastos mostrou como se faz e colocou na cabeça de Borja, que concluiu para fora. A jogada foi repetida aos 42, agora em chuveirinho da direita, mas o camisa 12 parou em Olivares.

Na volta das equipes para o gramado após o intervalo, aos oito minutos, o Palmeiras até balançou a rede, mas o gol foi corretamente anulado. Jean bateu falta, Mina cabeceou e superou o goleiro, mas foi flagrado em impedimento.

O duelo não era muito movimentado e ficava quem não em jogadas ofensivas, mas em lances brigados. Aos 15 minutos, Thomas colocou entre as pernas de Felipe Melo, que vibrou muito quando Tchê Tchê afastou na cobertura.

Pouco criativo, o campeão brasileiro apostava em ligações diretas, como aos 20, quando Michel Bastos lançou Guerra. O meia venezuelano até dominou, mas concluiu sem força e facilitou a vida de Olivares.

Embora fosse o "dono" da bola, com ampla vantagem na posse, o Palmeiras era atrapalhado pelo próprio nervosismo e ainda se expunha na defesa. Aos 30 minutos, Thomas puxou contra-ataque e serviu Cardozo, que tinha espaço, mas pegou mal e errou o alvo.

Thomas voltou a dar trabalho aos 39, quando fez boa jogada individual e passou para Olego. Livre, o argentino isolou, para alívio da torcida palmeirense.

Não parecia que o Alviverde buscaria a vitória. O time tinha dificuldade de penetrar trocando passes, e acabava apelando para chutes de longe ou lançamentos. Mas se na técnica não deu, o gol saiu na base da insistência e da raça, aos 50 minutos. Depois de grande confusão na área, Róger Guedes tocou para o meio e Mina completou para a rede.

O gol revoltou os jogadores do Wilstermann, que após o apito final foram para cima de Eduardo Gamboa para reclamar do tempo de acréscimos, considerado excessivo. Olego, que entrara na segunda etapa, empurrou o árbitro chileno e foi expulso já com a partida encerrada.


Ficha técnica:.

Palmeiras: Fernando Prass; Jean, Mina, Edu Dracena e Zé Roberto; Felipe Melo, Tchê Tchê (Willian), Michel Bastos (Keno) e Guerra (Róger Guedes); Dudu e Borja. Técnico: Eduardo Baptista.

Jorge Wilstermann: Olivares; Morales, Zenteno (Díaz), Alex Silva e Aponte; Saucedo e Machado; Bergese (Cardozo), Ortiz e Thomas; Cabezas (Olego). Técnico: Roberto Mosquera.

Árbitro: Eduardo Gamboa (Chile), auxiliado pelos compatriotas Claudio Ríos e Edson Cisternas.

Cartões amarelos: Mina (Palmeiras); Bergese, Cabezas, Thomas, Alex Silva, Aponte e Olivares (Jorge Wilstermann).

Cartão vermelho: Olego (Jorge Wilstermann).

Gol: Mina (Palmeiras).

Estádio: Allianz Parque, em São Paulo. EFE