Thiago Pereira evita pedir medalhas de futuros nadadores por crises do Brasil

Artur de Figueiredo
·6 minuto de leitura
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - APRIL 19:  Thiago Pereira of  Brazil prepares to swim the Men's 200m Medley final during the Maria Lenk Trophy competition at the Aquece Rio Test Event for the Rio 2016 Olympics at the Olympic Park on April 19, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Thiago Pereira durante evento preparatório para as Olimpíadas de 2016 (Buda Mendes/Getty Images)

O medalhista olímpico Thiago Pereira anunciou sua aposentadoria das piscinas em 2017. Atualmente, tem atuado como um gestor esportivo, com o foco na formação de novos nadadores, além de participação de eventos, como: o 1º Troféu Ayrton Senna de Kart, realizado no Kartódromo Internacional de Birigui, no interior de São Paulo, entre os dias 21 e 25 de janeiro de 2020.

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Veja entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes na qual fala sobre a realidade do esporte brasileiro, expectativas de medalhas, pandemia, crise econômica, política, carreira.

Você se tornou um ídolo nacional com várias medalhas em Pan Americanos, posteriormente, Olimpíadas. Qual foi o maior desafio para conquistar tais objetivos?

Tiveram vários desafios. O primeiro até chegar lá. A gente teve que passar durante os objetivos de curto, médio, longo prazo, até a gente conseguir chegar nos jogos Pan Americanos e Olimpíadas, tudo mais. Mas, eu acredito que na verdade, o maior desafio é quando estamos mais novos, ter que tomar aquela decisão do que fazer, se realmente vai seguir no esporte. Lógico, que nós temos desafios dentro dos treinamentos, lesões, etc... Mas eu acho que a minha grande decisão foi quando eu defini que era isso que eu queria. Com 11 para 12 anos e 15 para 16 eu tive que sair de casa para buscar esse sonho.

Estamos próximos de mais uma Olimpíada, como você enxerga essa nova geração de nadadores? Há chances por medalhas? Quais são os principais nomes?

A gente sabe tudo que aconteceu de 2016 pra cá. Eu acho complicado falarmos de medalhas, falar de sonho de medalhas, sendo que a gente não teve o treinamento necessário pra conquistar tais feitos. Estamos passando por uma crise administrativa, uma crise econômica, uma crise política e tudo que vem acontecendo no esporte. Então, a gente não pode esquecer desses fatores na hora de cobrar os resultados dos atletas, enfatiza.

Atualmente, estamos bem, tivemos atletas com bons resultados nos mundiais, mas também são muito guerreiros. Isso é importante deixar claro por que realmente podia ter sido melhor, a condição de preparação. Entendo o momento que o país está passando. Então, eu acho que olhar todas mudanças que aconteceram, os 4 anos. Não só pensar em condições de medalhas ou não nessa Olimpíada, mas as mudanças de estatuto que tiveram no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), as mudanças nas confederações, tudo que a gente conseguiu alcançar, a gente tem que olhar o esporte a longo prazo, ao invés de cada 4 anos. A gente tem que começar a olhar num ciclo de 8 anos, mas eu acredito sim que temos grandes nomes, uma geração bastante talentosa, mas não podemos deixar de sempre investir na nossa base.

A questão sanitária que assola o mundo tem se discutido em diversos setores. Como você se posiciona em relação a pandemia e os principais eventos esportivos? Devem acontecer ou não? Qual deveria ser as ações das federações e clubes, na preparação das competições, diante um momento de saúde pública mundial?

Foi uma decisão correta os eventos esportivos não acontecerem. Quando a gente pensa nos Jogos Olímpicos, por exemplo, não são apenas os atletas em si. Muita gente brincava, mas é tudo que envolve o mundo, por sinal, o mundo inteiro. Eu acho complicado, eu não sei qual seria a minha decisão, o fato dos eventos esportivos, a parte técnica, o que está sendo discutido em geral, mas realmente é uma decisão difícil pra quem está à frente nestas posições hoje, né? Seja em qualquer posição, de presidente de Confederação, presidente do Comité Olímpico Internacional, presidente da FINA (Federação Internacional de Natação), presidente do país, por que são decisões que terão que tomar e definitivamente, eu não sei. As notícias estão mudando a cada dia.

As Olimpíadas no Japão, por conta da pandemia que assola o mundo, teve que adequar o calendário, as questões de emergência sanitária. Com isso, as datas foram modificadas e posteriormente, previsão para acontecer no próximo ano, caso, atenda todas as necessidades da OMS (Organização Mundial de Saúde) e o surgimento, supostamente, de uma vacina.

Então, realmente, eu não tenho uma opinião formada, sobre qual ação deve ser tomada, mas, eu acho que isso deveria ser discutido com mais de uma pessoa. Acredito que deva haver uma conversa, uma reunião, onde coloquem várias pessoas de cada área para darem suas opiniões a respeito, para que realmente definam o que for melhor para as pessoas e o esporte também.

O Brasil passou por momentos de gerações muito vitoriosas, como a sua, a de Cielo, Borges, Scherer e tantos outros. Como você atual momento da natação nacional?

Temos que ter muito cuidado em só cobrar o resultado, que nos últimos 4 anos foram bem difíceis. Todos atletas que estão indo para a Olimpíada para defender o Brasil são guerreiros. A gente passa por uma nova fase no Comitê Olímpico do Brasil, nas Confederações, uma crise política, etc e tal. Então, realmente, estamos numa fase de transição de muitos talentos subindo. Tem muita criançada, mas precisamos realmente investir na base, não só na natação, como todos esportes. Isso é fundamental na renovação. Temos que pensar nas vitórias que tivemos com mais representatividade dos atletas, as Confederações também tendo que aderir essa mesma regra que o COB (Comité Olímpico Brasileiro) colocou dentro do estatuto. Eu acredito que essas vitórias realmente vão criar um novo futuro para o esporte

CARREIRA

Nascido em 1986, Thiago Pereira começou nas categorias de base em Volta Redonda, sua cidade natal, defendendo o Clube dos Funcionários. Sempre incentivado pela mãe Rose Vilela, o garoto disputou em 1998 seu primeiro campeonato oficial com um bronze nos 100 metros livre no Desafio Rio Sul.

Em 2002, já pelo Minas Tênis Clube, Thiago obteve suas primeiras medalhas no Troféu Maria Lenk. A partir daí tornou-se um dos melhores nadadores do mundo.

Participou de quatro Jogos Olímpicos (Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016). Foi em Londres 2012 que se sagrou vice-campeão olímpico nos 400m medley, fazendo a melhor parcial da história do nado peito até então e derrotando Michael Phelps.

Em 2015 tornou-se o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos ao chegar a 23 medalhas, um recorde que deverá perdurar por muito tempo. Em mundiais (curta e longa) ele possui sete medalhas.

No início de 2017 anunciou sua aposentadoria. Em fevereiro de 2019, Thiago se tornou pai. Seu filho, Luca Pauletti Pereira, completou um ano em 2020.

Fonte: Agência On Board Sports

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