Sucessor de Serginho, Thales comenta momento na seleção

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Com personalidade, líbero gaúcho rejeita comparações com Escadinha e busca progressos mínimos para se firmar. (Foto: Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images)
Com personalidade, líbero gaúcho rejeita comparações com Escadinha e busca progressos mínimos para se firmar. (Foto: Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images)

Por Alessandro Lucchetti

O cenário pós-Olimpíada Rio-2016 é particularmente intrigante no tocante a dois personagens. Curiosamente, trata-se de dois gaúchos de São Leopoldo: Renan Dal Zotto, que não chegou a cumprir trajetória de cair o queixo comandando clubes, teria condições de receber o bastão deixado pelo campeoníssimo Bernardinho? Depois de contar por anos a fio com um líbero da estirpe de Escadinha, o Brasil poderia vir a contar com um jogador competente para comandar o sistema de recepção e defender petardos num nível de excelência?

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É bem verdade que um punhado de seleções importantes não enviou ao Japão força máxima, mas o Brasil saiu do país que sediará os Jogos Olímpicos com um título que lhe reforçou o moral, o da Copa do Mundo, em meados de outubro. Poucos meses antes, a conquista da vaga para Tóquio, com vitória sobre a Bulgária de virada, por 3 a 2, na casa do adversário, já havia sido um marco.

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O líbero Thales Hoss é em tudo diferente de Escadinha, a começar pela história de vida: enquanto o piritubense teve que ralar muito fora da quadra para chegar aonde chegou, tendo inclusive vendido água sanitária e colado papeis de parede, o leopoldense começou a praticar mini-vôlei no Colégio Sinodal, na cidade natal dele, e desfrutou de apoio para traçar sua carreira, transitando por vários clubes do Sul do país.

Depois de um treino no ginásio do Taquaral, na véspera de um jogo contra o Vôlei Renata, o líbero do Taubaté responde qualquer questionamento com a mesma segurança com que (quase) sempre recebe saques desestruturantes.

Em sua visão, o período mais difícil do sistema de recepção da era Renan foi durante o transcorrer da Liga das Nações, oportunidade em que a Polônia, mesmo sem o time completo, conseguiu abalar o adversário com saques flutuantes.

“Ali a gente de fato sofreu muito. Eu ainda estava conhecendo o Leal como jogador. Com o Lucarelli jogo há mais tempo e a comunicação com ele flui naturalmente. Depois, no Pré-Olímpico e Copa do Mundo, o entrosamento com o Leal melhorou”, explica o ex-ponteiro.

Pelo que se depreende do papo com Thales, uma das dificuldades que o flutuante acarreta é a variedade de diferentes saques que recebem esse nome. Ler a trajetória de cada um deles, sob tensão, não é tarefa das mais fáceis. “Existem os flutuantes mais fáceis e o mais difíceis, com floats bem agressivos. Alguns saques atingem uma zona de indefinição entre dois jogadores, e isso é bem complicado”.

A missão do líbero, em muitos dos casos, é dar um passo à frente e assumir o risco de recepcionar um saque perigoso. Com isso, estará beneficiando o ponteiro que estiver a seu lado, liberando-o para o ataque. Na Copa do Mundo, o próprio Lucarelli, dono de uma categoria ímpar para recepcionar, sacrificou parte de seu potencial ofensivo para dar espaço ao cubano naturalizado brasileiro Leal.

“Em algumas ocasiões, eu quis proteger os atacantes e acabei me expondo, prejudicando o próprio time”, admite o atleta, bastante transparente em suas respostas.

Thales Hoss em partida da seleção brasileira masculina de vôlei contra a Polônia. (Foto: Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images)
Thales Hoss em partida da seleção brasileira masculina de vôlei contra a Polônia. (Foto: Matteo Ciambelli/NurPhoto via Getty Images)

Cabeça-feita, como se dizia em gíria oitentista, Thales dá de ombros para comentários que relacionam seu jeito mais fechado com certa hesitação para assumir um papel mais proeminente na recepção. “Não diria que sou introspectivo. Sou um cara mais na minha, apenas isso.

Consciente de suas limitações, sabiamente Thales tomou a decisão de não pretender ser um sucessor à altura de Escadinha. “Não substituí o Serginho. Ninguém chega no nível dele. Tento fazer o meu melhor. Claro que vou apresentar erros, mas, com a ajuda do Renan, tenho a perspectiva de conseguir uma evolução considerável”.

Nessa caminhada, qualquer progresso, por mínimo que seja, alenta o jogador. “No nível em que estamos, procuramos evoluir, mesmo que apenas centímetros. No vôlei é comum treinar bloqueio duramente por dois meses apenas para podermos fazer um ou dois pontinhos a mais num final de set”.

Satisfeito com a escolha que fez, ao menos em suas declarações, Renan considera o conterrâneo um dos três melhores do mundo na posição. “O Thales foi o melhor da Copa do Mundo. Talvez o Grebennikov seja mais completo, por ser melhor na defesa. Mas acho que o Tales, por sua vez, o supera na recepção”.

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