Thaila Ayala: o que podemos aprender sobre empatia e empreendedorismo?

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A nova marca de Thaila Ayala, a princípio, se chamava Vir.Us 2020
A nova marca de Thaila Ayala, a princípio, se chamava Vir.Us 2020

Na última segunda-feira (08), Thaila Ayala virou um dos assuntos mais comentados da internet ao fazer o lançamento de sua nova marca. Até aí, tudo bem. O problema é que o nome da empresa de roupas, em produção há 3 meses, fazia uma referência direta ao momento em que estamos vivendo: Vir.Us 2020

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Segundo a apresentadora e atriz, a ideia surgiu durante uma conversa que aconteceu neste período de quarentena com amigos. Além do nome, a marca, oficialmente lançada a dois dias para pré-venda de seus produtos (algumas peças de roupa em tie dye), tinha a descrição: "Um vírus fez estremecer o planeta, fechar fronteiras, monitorar governos, segregar pessoas, amedrontar consciências e trancar portas. Imagina quando for o vírus do amor, da empatia, e da união entre todos os seres? A Virus 2020 convida você para viralizar o melhor da vida e construir um novo mundo mais colorido. Vamos juntos". 

As críticas nas redes sociais foram às alturas com a proposta de Thaila, que na noite do mesmo dia liberou um comunicado anunciando a mudança de nome (agora, a marca se chama Amar.Ca) junto com um pedido de desculpas: "Nunca quis romantizar a pandemia. Esse assunto nunca deve ser romantizado. Eu entrei como sócia de duas amigas que foram atingidas pela pandemia e, por causa dela, estavam com suas produções paradas. Pensamos em criar algo que gerasse renda neste momento, que fosse uma maneira de ajudar".

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Uma questão de empatia

No Brasil, os números não mentem: até agora, foram registrados um total de 37.359 mortes, e os confirmados já passaram de 710 mil. Isso, sem contar os efeitos na economia. Segundo o IBGE, o Brasil fechou o primeiro trimestre deste ano, o mesmo em que o coronavírus chegou por aqui, com mais de 1,2 milhão de pessoas desempregadas, uma alta de 10% em relação aos últimos 3 meses de 2019.

De acordo com um levantamento feito pelo Sebrae, estima-se que 600 mil micro e pequenas empresas fecharam desde o começo da quarentena, e 9 milhões de funcionários foram demitidos. Diante disso, vale lembrar ainda que o Brasil é um país em que o empreendedorismo acontece, em muito, por necessidade, e esse mercado é bem grande quando se fala em mulheres: 45% das microempreendedoras brasileiras também são chefes de família.

Tudo isso para explicar que, em um momento tão delicado como esse, a empatia é mais do que um ato de gentileza, é praticamente uma necessidade. Foram muitas famílias que perderam parentes queridos devido ao COVID-19, e tantas outras que estão dependendo do auxilio emergencial do Governo Federal (mais de 100 milhões de pessoas entraram com o pedido, segundo a Caixa), para garantir o mínimo neste momento de crise. 

A ideia de lançar um novo negócio com o intuito de buscar novas fontes de renda é sempre aceitável (e até louvável, dada uma situação tão adversa), porém, no caso de Thaila Ayala, faltou empatia. Em um momento no qual a discussão da diferença de classes, luta contra o racismo e questionamento sobre o sistema vigente em que vivemos, buscar o lucro se utilizando de uma questão tão delicada é, no mínimo, questionável. 

Não à toa as pessoas se sentiram revoltadas. Muitas, enfrentam o luto em quarentena, sozinhos (a ilustradora Taíssa Maia fez um belíssimo e sensível trabalho contando a sua história em quadrinhos), tantos outros não têm ideia de como pagarão as contas, porque não foram aprovados no cadastro do auxílio emergencial, e estão sem ocupação. E tantos outros, ainda, se colocam em situação de risco porque precisam - são lixeiros, médicos, enfermeiros, responsáveis pela limpeza, cuja jornada de trabalho não mudou. 

Desconsiderar esse contexto é o que caracteriza uma falta de empatia, das grandes. Muito se tem falado sobre o papel dos influenciadores nos últimos meses, e Thaila, como uma atriz reconhecida, com mais de 5 milhões e meio de seguidores, têm a sua responsabilidade ao colocar conteúdo nos perfis e também ao abrir uma marca própria. 

Estamos vivendo um momento de muitas mudanças. Considerá-las apenas de um viés individual, que não leva em consideração o coletivo, a situação das outras pessoas, as suas necessidades e dificuldades, parece que não vai funcionar mais. A empatia precisa deixar de ser excessão para ser regra. Só assim poderemos evoluir juntos.   

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