Tenista diz que foi tratada como 'deliquente' na Austrália após ter Covid-19

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A tenista espanhola Paula Badosa, 23, pôde na última quinta-feira (4) deixar o isolamento a que foi submetida após ter contraído Covid-19 e voltar a treinar após três semanas dentro de um quarto de hotel na Austrália. A 67ª colocada do ranking feminino teve o coronavírus detectado em Melbourne, que receberá a partir de segunda (8) o primeiro Grand Slam da temporada 2021. Foi a única atleta infectada entre os centenas que desembarcaram no país nas últimas semanas. Todos tiveram que fazer algum tipo de quarentena nos primeiros 14 dias. A maioria podia deixar seus quartos de hotel por até cinco horas diárias, para treinos em quadra, físicos e alimentação. Já um grupo de 72 tenistas, incluindo Badosa, não puderam deixar as acomodações --no caso dos outros 71 sem a Covid-19, porque viajaram em voos com pessoas contaminadas. A partir desta semana, com a realização de seis torneios preparatórios para o Slam, os jogadores passaram a desfrutrar de liberdade de movimentação. Badosa, porém, que segundo o jornal Marca foi infectada pela cepa britânica do coronavírus (uma das mutações mais transmissíveis), só encerrou seu isolamento após 21 dias. As restrições provocaram fortes reclamações, principalmente no início e no grupo dos que tiveram mais restrições. Badosa deu várias declarações com críticas ao tratamento dispensado pelos organizadores dos torneios e da quarentena, ou seja, a federação e os governos australianos. "Foi um pesadelo. Trataram-me como se eu fosse uma delinquente, me transferiram de um hotel para outro escoltada por policiais, carta de prisão [em caso de descumprimento das regras]... Senti falta de um pouco mais de empatia. Eu sei que tinha um vírus que é perigoso, mas estava presa e seguindo as regras", afirmou ao El País. Assim como outros tenistas, Badosa disse que não foi avisada sobre todos os procedimentos de isolamento antes da chegada ao país. Por outro lado, essa queixa foi contestada por alguns participantes do evento. A espanhola também reclamou da falta de ventilação no seu quarto e de não ter recebido equipamentos para se manter em atividade --se limitava a fazer abdominais, flexões e usava garrafas como peso. "Tinham dois policiais na porta e fui proibida de abri-la. Não tinha janela para respirar um pouco." Ainda ao El País, ela ressaltou que entende as restrições e agradece pela oportunidade de jogar no país, mas contesta as condições diferentes para tenistas que puderam treinar há mais tempo, enquanto ela se vê em risco de lesões ao atuar nos próximos dias. "Que o esforço é muito grande e nós agradecemos? Sim, mas a realidade é que eles ganham muito mais do que qualquer um de nós pode ganhar aqui. Ficou claro que ia haver algum positivo e eles deveriam ter levantado melhores condições para atender os casos. Essa é a minha reclamação." As queixas dos tenistas provocaram celeuma num dos países que mais tiveram sucesso no controle da pandemia (cerca de 29 mil casos e 909 mortes) até aqui. Parte da mídia australiana tratou os tenistas como reclamões e mimados. Os casos de Badosa e de dois adolescentes espanhóis que estavam no grupo dos 72, entre eles o badalado Carlos Alcaraz, 17, levaram a federação espanhola a se indispor com a organização australiana, pedindo melhorias nas condições do isolamento.