'Temos que ter criatividade para que o público possa ter um momento de ócio', diz fundador do LANCE! em fórum organizado pelo MARCA


Com a pandemia, o mercado foi afetado. Diários do mundo inteiro perderam renda. Por isso, o MARCA organizou um fórum para debater a imprensa durante e depois do coronavírus e que conteve a presença de Walter de Mattos, fundador e editor do LANCE!, VÍtor Serpa, diretor do "A Bola", de Portugal, Hugo Chávez, diretor do "Líder", da Venezuela, Miguel Arizpe, diretor do "Cancha", do México, Gianni Valenti, vice-diretor do "La Gazzetta dello Sport", da Itália e Sid Lowe, correspondente do "The Guardian", do Reino Unido.

Walter de Mattos, fundador e editor do LANCE!, analisou o momento vivido pelo jornal no Brasil.

- Estamos sofrendo como todos. No início da crise, decidimos paralisar a circulação do jornal impresso. Já que não temos partidas, contratações e campeonatos, vivemos uma briga por audiência, mas estamos conseguindo. Acreditamos que não estamos errados, mantivemos 70% da audiência antes do coronavírus, mas há incerteza no Brasil com o pico do vírus. Tem uma bagunça que é um calendário diferente do dos principais países do futebol.

Gianni Valenti, vice-diretor do La Gazzetta dello Sport, da Itália, também falou um pouco sobre a situação no país.

- Agora a decisão de retornar à liga é do governo, poderemos descobrir em uma semana. O problema do futebol na Itália são as regras sanitárias. Na Alemanha, se houver um positivo, ele pode ser seguido. Na Itália, o primeiro jogador com resultados positivos fechará tudo. É um problema para a sociedade, veremos. Estamos no centro do coronavírus, em Milão, nosso jornal foi afetado pelo coronavírus, aqui tivemos um longo período de internação e os quiosques estão abertos, mas não há esporte. Há outro problema: os bares estão fechados e em todos os bares há uma cópia do nosso jornal.

Sobre o novo formato do jornalismo, Walter de Mattos foi sincero. É um aprendizado e a busca por temas é diária.

- Estamos aprendendo a trabalhar nesse novo formato. Há uma busca importante por temas que possam ser de interesse, temas ligeiros, temos que ter criatividade para que o público possa ter um momento de ócio. A Rede Globo tem transmitido algumas partidas antigas aos domingos, como por exemplo o título mundial do Brasil contra a Itália, e isso gerou muita interação das pessoas.

Hugo Chávez, diretor do Líder, da Venezuela, também explicou um pouco do que tem feito no país.

- Aqui damos futebol, beisebol, Fórmula 1. O debate é se o esporte nos espera impressos ou digitais, não circulamos por dois meses. Confio que quando o Líder voltar a aparecer vamos continuar contando com nossos leitores. O jornal impresso é um trabalho muito importante. Os jornais impressos, no futuro, em algum momento, tendem a desaparecer.

Sobre o jornalismo pós pandemia, o fundador e editor do LANCE! explica que, no Brasil, não há casos de assinaturas digitais no mundo esportivo.

- O faturamento diminuiu bastante e estamos trabalhando com o digital. Para os jornais esportivos impressos, dependemos da publicidade. Não há casos de assinaturas digitais como o New York Times. No Brasil, a transição para assinaturas foi muito difícil. Mas é um caminho que teremos que enfrentar. Os podcasts estão crescendo também, mas não tem um mercado certo ainda. Então, temos uma lista de novos modelos que podemos oferecer ao público que são atrativos. A cobertura no dia a dia é muito restrita comparada ao passado. Como encontrar faturamento digital além da publicidade? Temos que continuar arranjando formas de sermos atrativos.

Vítor Serpa, diretor do A BOLA, de Portugal, é otimista e pede mais preparo.

- Gostaria de terminar de maneira otimista. Quando o jornalismo começou, os jornais foram feitos em caracteres tipográficos principais. Acho que o jornalismo passou pelas maiores revoluções em todos os setores da indústria. Fomos criativos ao acompanhar as revoluções tecnológicas. Eu acho que neste momento ninguém pode dar uma resposta objetiva sobre o futuro da imprensa, mas foi um erro em que se pensava que as notícias poderiam ser oferecidas na internet. Haverá uma continuidade de nossa marca em diferentes plataformas. O papel será gourmet, não creio que possa ser feito um papel para dar notícias que todo mundo conhece em seus celulares. Os jornalistas precisam estar mais preparados para o futuro.

Ontem, no primeiro dia de fórum, estiveram presentes Juan Ignacio Gallardo, diretor do Marca, da Espanha, Mariano Dayan, diretor do Olé, da Argentina, Carlos Ponce, da Record, do México, Carlos Salinas, diretor do Líbero, do Peru, Gabriel Meluk, editor-chefe do El Tiempo, da Colômbia, e Esly Aguilar, diretor do Diez, da Honduras.

Amanhã, no último dia, estarão presentes Gerardo Riquelme, vice-diretor do Marca, da Espanha, Bernardo Ribeiro, diretor da Record, de Portugal, Gyorgy Szollosi, diretor do Nemzeti, da Hungria, Mathias Brugelmann, editor-chefe do Bild, da Alemanha, Frederick Hermel, correspondente do L'Équipe, da França, e Chris Mbasi editor de esportes do The Star, da Quênia.




























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