Temer diz que votou em Bolsonaro: 'me pediu conselhos'

Ex-presidente Michel Temer. Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA via AP Images
Ex-presidente Michel Temer. Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA via AP Images

Em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (2) pelo jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Michel Temer comentou o primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, fez elogios ao sucessor e revelou que foi um de seus eleitores. “O governo vai indo bem porque está dando sequência ao que fiz”, disse.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Segundo Temer, Bolsonaro o procurou após ser ser eleito em 2018 para pedir conselhos. “Eu disse que não daria conselhos para quem foi eleito com quase 60 milhões de votos, mas disse que daria palpites”, afirmou o ex-presidente.

Leia também

“Acabei votando nele (no segundo turno) por uma razão. Eu recebia muitas críticas indevidas da outra candidatura (Fernando Haddad). Votei em quem não falou mal do meu governo”, declarou ainda Temer na entrevista.

Como exemplo de que Bolsonaro seguiu seus conselhos, Temer cita a viagem do atual presidente à China, em outubro, após ter passado a campanha eleitoral avaliando o país como uma “ameaça comunista”. O ex-presidente afirma que a relação do Brasil com a potência asiática é “importantíssima”.

“O governo Bolsonaro, diferente do que é comum em outros governos que invalidam anterior, deu sequência. Bolsonaro está dando sequência ao que eu fiz”, avalia Temer. “Ele tem o estilo do confronto, que é oposto ao meu, de conciliação. [...] Talvez seja um discurso dirigido para sua base.”

Na mesma entrevista, Temer se diz favorável à ampliação do fundo eleitoral para R$ 2 bilhões, como Bolsonaro deve fazer, mas se diz contra o projeto de excludente de ilicitude, que tiraria a culpa sobre policiais e agentes da lei acusados de cometer algum crime no exercício da função.

Temer também comentou a soltura de Lula da prisão, no início de novembro. “Ele radicalizou. Achei que isso foi equivocado institucionalmente”, disse o ex-presidente. “Se Lula radicaliza de um lado, dá chance ao Bolsonaro ficar na posição inversa. Talvez eles tenham isso em mente.”

Leia também