Telespectadora em 2008, Titoneli agora faz família madrugar para vê-la nas Olimpíadas

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TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Aos 10 anos, em 2008, a paulistana Milena Titoneli programava o celular para acordar durante a madrugada e acompanhar as lutas de Natália Falavigna, medalhista de bronze naquelas Olimpíadas de Pequim. Neste domingo (25), às 23h, é a vez dela brigar por um lugar ao pódio no taekwondo.

Chances, para isso, existem. Na categoria até 67 quilos, ela é a nona colocada do ranking e terminou em terceiro no último Campeonato Mundial, disputado em Manchester, na Inglaterra, além de entrar para história como a primeira brasileira a faturar o ouro nos Jogos Pan-Americanos, em Lima-2019.

"Acordava de madrugada para assistir à Natália e, em 2016, fui todos os dias para ver as competições. Foi [no Rio] que entrei para seleção adulta e comecei a pensar mais forte que um dia eu gostaria de estar ali [no tatame]", conta Milena à reportagem.

No Makuhari Messe Hall, na capital japonesa, a paulistana vai lutar contra Julyana Al-Sadeq, da Jordânia.

Em Tóquio, cada categoria da modalidade reúne 16 lutadores. A reta final para o pódio inicia na fase das oitavas de final. Para garantir o ouro é preciso vencer os quatro duelos.

É a primeira vez que o Brasil terá uma representante na classe até 67 quilos. Milena entrou para o esporte a pedido da mãe, preocupada com o excesso de peso da filha, com 12 anos na época.

Os pais Rosemeri e Everaldo queriam que a menina escolhesse basquete, handebol ou vôlei. Ela, porém, quis o tatame.

"Me identifiquei com o taekwondo. De início, minha mãe ficou um pouco assustada. Eu chegava [em casa] com os braços roxos por me defender nos treinos."

O que era para ajudar a perder peso, ganhou outro significado a partir de 2013, quando ela foi à primeira competição como faixa preta e, aos 15, conquistou vaga na seleção brasileira juvenil.

"Na ocasião, a comissão técnica me escolheu para os Jogos Olímpicos da Juventude. Depois dessa competição, eu fui vendo como era o taekwondo de verdade. Meus pais foram vendo como seria a realidade de uma atleta", diz Milena.

Ainda assim, Everaldo prefere ficar longe quando a filha entra no tatame. "Meu pai não gosta de ver pessoalmente porque acha que estará me deixando nervosa. Na verdade, não. Contaram para mim que quando ele me assiste de casa, quase tem um ataque do coração.

Em Tóquio, Natália Falavigna e Milena estão unidas no objetivo de chegar ao pódio. A medalhista de bronze em Pequim é a chefe da equipe brasileira e quem aconselha a atual esperança do país. Agora é a família Titoneli que precisará recorrer ao despertador do celular.

O mineiro, de Belo Horizonte, Icaro Miguel mede forças com o italiano Simone Alessio, às 22h15 (de Brasília) na categoria até 80 quilos, também neste domingo.

Quando tinha seis anos, Icaro sofreu um acidente doméstico e perdeu 90% da visão do olho direito. O lutador de 27 anos obteve a medalha de prata no Mundial, em Manchester, pela categoria 87 quilos -esta não consta na programação olímpica.

Nos Jogos de Tóquio, ele luta na classe mais leve, a de 80 quilos. Pela categoria ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima.

Como forma de focar em sua preparação para a competição no Japão, Icaro preferiu não conceder entrevistas.

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