Teich e Mandetta dizem que Bolsonaro atrapalha combate ao coronavírus

Colaboradores Yahoo Notícias
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BRASILIA, BRAZIL - APRIL 17: Brazilian newly appointed Health Minister Nelson Teich (R) speaks during his sworn in ceremony as outgoing Minister of Health Luiz Henrique Mandetta sits at the back (L) amidst coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on April, 17, 2020 in Brasilia. President Bolsonaro has fired outgoing Minister of Health Luiz Henrique Mandetta on Thursday 16th over differences in coronavirus strategy. Brazil has over 30,000 confirmed positive cases of Coronavirus and 1956 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

Ex-ministros da Saúde de Jair Bolsonaro (sem partido), Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich avaliam que faltou liderança do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus e que a postura do presidente atrapalhou as medidas sanitárias de prevenção.

“A Covid-19 suscita uma cooperação em todos os níveis. E o que o Brasil não tem é planejamento, estratégia, liderança, coordenação e informação. Isso não é uma coisa deste governo, deste ministério. É uma coisa que foi se estruturando ao longo de décadas”, disse Teich em entrevista ao jornal O Globo.

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Sobre o papel do presidente, Teich afirmou que as declarações de Bolsonaro contrárias às autoridades de Saúde confunde as pessoas e dificulta o combate à pandemia: “Não ter uma comunicação alinhada, forte, todo mundo mandando a mesma mensagem, dificulta o combate à pandemia, claramente”.

Teich deixou o cargo em maio, em meio a divergências sobre a aplicação da cloroquina, medicamento sem comprovação científica. Ele havia substituído Mandetta, que também discordou do uso da substância.

Para o ex-ministro, que esteve no cargo entre janeiro de 2019 e abril de 2020, o país enfrente uma crise tripla “de prevenção, atendimento e vacina”.

“Primeiro, porque o presidente não acredita [no vírus]. Até hoje não houve uma fala do presidente que ajudasse a Saúde pública brasileira”, disse Mandetta. “Parece tudo errático. É preciso ter uma capacidade de liderança muito forte, e o Brasil está sem liderança em Saúde”, analisou.