Técnico de Senegal se reencontra com passado em busca de feito inédito

Aliou Cissé, técnico de Senegal na Copa do Mundo. Foto: Marvin Ibo Guengoer - GES Sportfoto/Getty Images
Aliou Cissé, técnico de Senegal na Copa do Mundo. Foto: Marvin Ibo Guengoer - GES Sportfoto/Getty Images

O ano de 2022 tem sido de grandes reencontros com o passado para o treinador Aliou Cissé, comandante da seleção de Senegal, que chega às oitavas-de-final da Copa do Mundo do Catar tentando novamente surpreender o mundo do futebol. O técnico, que tem um dos menores salários entre todos os técnicos da Copa, que está a frente do time há sete anos, já exorcizou um dos fantasmas de seu passado como jogador em 2022, e agora busca o mesmo no Catar.

Vinte anos atrás, quando ainda era jogador, Cissé fazia parte da seleção senegalesa que chocou o mundo ao vencer a então campeã França, no jogo de abertura jogo da Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão. A França, que entrara em campo com sete dos onze titulares da final da Copa de 1998, até criou chances contra os senegaleses mas não teve forças para reverter o placar de 1 a 0. Senegal terminou como segundo colocado em um grupo que tinha, além da França, duas seleções com mais tradição no futebol do que o país africano: Uruguai e Dinamarca.

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Naquele ano os senegaleses, capitaneados por Aliou Cissé, foram parados apenas nas quartas-de-final pela Turquia. A lembrança dessa campanha é o que motiva Cissé em seu trabalho a frente da seleção de Senegal.

Também em 2002, antes de encantar na Copa do Mundo, Senegal havia chegado até a final da Copa Africana de Nações, disputada no início daquele ano. A final foi bem disputada contra o time de Camarões, uma das potências do continente, e terminou 0 a 0 no tempo normal. Durante a disputa por pênaltis Cissé, que já era capitão da equipe, errou sua cobrança, a última de Senegal e que finalizou a disputa. Em fevereiro de 2022, já como treinador da seleção principal ele conseguiu realizar o sonho de dar aos senegaleses o título tão sonhado da Copa Africana. Quis o destino que a decisão contra o Egito tivesse o mesmo roteiro, 0 a 0 e cobranças de pênaltis. Dessa vez a festa foi da seleção de Senegal, e Aliou Cissé pode, pelo menos por alguns momentos, esquecer toda a dor que havia passado vinte anos antes.

O sucesso de Cissé inspirou outras seleções africanas buscarem técnicos locais para conduzir suas seleções. Todas as equipes do continente presentes na Copa do Catar tinham técnicos dos próprios países, a primeira vez na história que isso ocorre. Historicamente as seleções africanas contratavam técnicos europeus ou sul-americanos para desenvolver o futebol local.

Se na Copa Africana Aliou Cissé já fez as pazes com o passado e conquistou o primeiro título para Senegal, na Copa ele pode ir mais longe do que fez como jogador em 2002. Nunca uma seleção africana chegou à uma semifinal de Copa do Mundo, e ainda que sem a presença de seu maior craque, Sadio Mané, que machucou às vésperas do mundial, Senegal pode realizar esse feito. O primeiro desafio é neste domingo (04), contra a Inglaterra, às 16h de Brasília.