Técnico de Gana vê falso moralismo nas críticas ao Catar

Técnico de Gana, Otto Addo falou sobre as críticas às restrições impostas no Catar. Foto: Jean Catuffe/Getty Images
Técnico de Gana, Otto Addo falou sobre as críticas às restrições impostas no Catar. Foto: Jean Catuffe/Getty Images

O técnico da seleção de Gana, Otto Addo, considera as críticas europeias à Copa do Mundo no Catar hipócritas e acusou a Alemanha, em particular, de falso moralismo. "Acho extremamente importante que as queixas no Catar sejam abordadas, especialmente quando as pessoas morrem", disse Addo à Agência de Imprensa Alemã antes do início do torneio no domingo. "No entanto, é um ponto de vista muito europeu quando você pensa que é muito melhor que o Catar."

O ex-profissional da Bundesliga explicou: “Na costa da União Europeia, à qual também pertence a Alemanha, pessoas morrem todos os dias porque não são aceitas. E fogem por razões econômicas pelas quais somos em parte responsáveis ​​e em parte causamos na história. Na África, milhares de pessoas morrem de fome todos os dias, “e na Alemanha, toneladas de comida são jogadas fora todos os dias”, protestou.

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De acordo com Addo, que também trabalha como técnico dos principais talentos do Borussia Dortmund, as críticas à Copa do Mundo "não são um problema" em Gana porque "há muitos outros problemas". O ex-profissional da Bundesliga apelou a todos os críticos da Copa do Mundo por todas as informações justificadas: "Você também deve varrer a sua própria porta", seguiu.

Desde não transmitir os jogos da Copa do Mundo em algumas das principais cidades ocidentais, a não viajar ao Catar, as críticas e pedidos de boicote ao Mundial de Futebol de 2022 crescem, à medida que o evento se aproxima. No emirado, contudo, é difícil entender os motivos desses ataques.

Além disso, a exposição do Catar ao mundo inteiro obrigou as autoridades a implementarem reformas sociais sobre os trabalhadores imigrantes, que se tornam as mais avançadas entre os países do Golfo, ainda que estejam longe de ser suficientes.

Em um discurso em 25 de outubro, o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, não escondeu o seu aborrecimento, dizendo que "nenhum país anfitrião sofreu" uma campanha como essa de boicote e críticas, questionando-se sobre "os verdadeiros motivos e motivações”.

A Rússia não experimentou tamanha onda de protestos durante a Copa do Mundo de 2018, apesar das flagrantes violações dos direitos humanos no país.

O próximo país árabe a sediar uma competição global será a vizinha do Catar, a Arábia Saudita. Em 2029, o país sediará os Jogos Asiáticos de Inverno. Uma decisão que já está causando polêmica, novamente tanto em questões de direitos humanos quanto em questões ecológicas. Os eventos de esqui alpino, snowboard e hóquei no gelo acontecerão em Neom, uma megacidade futurista em construção no noroeste da Arábia Saudita.