Tatuzão inicia novo trecho de escavação na linha 6-laranja do metrô de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ainda sem conseguir explicar as causas do acidente que provocou o rompimento de uma tubulação de esgoto da Sabesp no dia 1º de fevereiro e que paralisou parte das obras, o consórcio responsável pela linha 6-laranja do metrô inicia neste sábado (26) mais uma etapa das escavações no sentido sul.

A tuneladora, máquina conhecida como tatuzão, deverá levar cerca de três meses para escavar e instalar anéis de concreto no túnel que vai ligar as estações Santa Marina e Água Branca, ambas na zona oeste de São Paulo.

No mês passado, outra tuneladora começou a escavação do setor norte da linha, a partir da marginal Tietê, na região da ponte da Freguesia do Ó, zona norte.

Com 15 estações, a linha 6 vai ligar a Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, no centro, onde haverá interligação com a linha 3-azul.

A previsão é que a linha inteira seja inaugurada de uma vez até o fim de 2025, segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos.

As 15 estações estão sendo construídas ao mesmo tempo. "Algumas estão adiantadas e outras mais atrasadas", afirma Jelson Antonio Sayeg de Siqueira, coordenador dos contratos de implantação de concessões da secretaria.

As escavações tiveram de ser paralisadas em 1º de fevereiro quando houve o rompimento da tubulação da Sabesp, que fez ceder o asfalto da marginal Tietê, na altura da ponte da Freguesia do Ó. Na ocasião, as pistas local e central, no sentido da rodovia Ayrton Senna, foram interditadas para veículos.

As duas tuneladoras foram atingidas pelo esgoto e tiveram de ser recuperadas durante seis meses, principalmente a parte elétrica. Peças tiveram de ser importadas da fábrica, na Alemanha.

A primeira delas, sentido sul, retomou as operações no fim de agosto e escavou cerca de 380 metros até chegar à estação Santa Marina no mês passado, quando voltou a ser desligada para manutenção.

Segundo Siqueira, no trecho concluído em outubro, a tuneladora chegou a escavar 24 metros em um dia. A média, por contrato, é de 13 metros diários.

O percurso a ser escavado entre as estações Santa Marina e Água Branca tem cerca de mil metros.

Para não atrasar a previsão de inauguração da linha, de acordo com Siqueira, a concessionária LinhaUni, que tem o grupo espanhol Acciona à frente, teve de refazer seu cronograma de tempo de obra. Até o acidente, os trabalhos eram realizados de segunda a sexta-feira. Agora, ocorrem 24 horas por dia, inclusive em feriados e nos fins de semana.

"Precisaram contratar equipes e otimizaram os cronogramas de escavações até zerar o atraso", diz o executivo da STM. Cada turno de trabalho conta com 50 pessoas.

Siqueira afirma que o governo estadual aguarda até dezembro a entrega de laudos dos consórcio e da Sabesp sobre o acidente.

No início deste mês, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), contratado pelo governo estadual para investigar o rompimento da tubulação, entregou um documento à Secretaria de Transportes Metropolitanos, mas que foi devolvido por apresentar dúvidas. Siqueira não quis explicar quais são.

"Até agora não tem uma causa definitiva do que ocorreu, mas havia um gerenciamento de risco que foi entregue e aprovado ", afirma o coordenador da pasta estadual, que também preferiu não falar de eventuais prejuízos financeiros causados pelos seis meses de parada nas escavações.

Com 109 metros de comprimento, 10,61 metros de diâmetro e pesando 2.000 toneladas, o primeiro dos dois tatuzões que vão construir a linha 6-laranja começou a operar em 16 de dezembro.

Cada tuneladora conta com estrutura completa de apoio aos operários, com refeitório, unidade de enfermagem, esteira para retirada do material escavado, cabine de comando, além de outros.

O equipamento também é responsável pela instalação dos anéis de concreto que revestem o túnel.

O trecho de aproximadamente mil metros entre o poço VSE (ventilação e saída de emergência) Tietê, na marginal Tietê sentido Castelo Branco, e a estação Santa Marina está totalmente concretado, conforme constatou a reportagem nesta sexta-feira (25).

O primeiro trecho da linha 6-laranja, então entre as estações Brasilândia e Água Branca, estava previsto inicialmente para ser entregue em 2013.

Por causa de rompimentos de contratos e troca de empreiteiras, a construção da linha ficou paralisada entre 2016 e o fim do ano passado.

A obra é uma PPP (Parceria-Público Privada). Além da construção, o consórcio LinhaUni será responsável pela operação da linha. A estimativa é que ela transporte 630 mil pessoas por dia.