TAS suspende nadador chinês Sun Yang por oito anos

AFP

A estrela da natação chinesa Sun Yang foi suspensa por oito anos, nesta sexta-feira (28), pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), por ter destruído com marteladas uma amostra durante um controle antidoping fora de competição, em setembro de 2018, uma decisão que o atleta considerou "injusta".

Com isso, Sun Yang, de 28 anos, primeiro campeão olímpico chinês de natação - em Londres 2012, nos 400 metros e 1.500 metros -, estará fora dos Jogos de Tóquio 2020. Ainda cabe recurso perante o tribunal federal suíço.

A estrela chinesa corria o risco de ser suspenso por dois a oito anos. Como já havia sido punido por três meses -praticamente em segredo- após dar positivo por um estimulante (trimetazidina) em 2014, o TAS optou pela pena máxima em seu veredito.

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Um relatório explosivo do comitê antidoping da Federação Internacional de Natação (Fina), redigido em janeiro de 2019, confirmou que Yang destruiu a marteladas suas próprias amostras de sangue durante um controle surpresa, em setembro de 2018.

A Agência Mundial Antidoping (Wada) apelou ao TAS depois que a própria Fina absolveu Sun Yang alegando um erro de processo, o que permitiu ao nadador, de 27 anos, participar do Mundial de natação de Gwangju, na Coreia do Sul, em julho de 2019. Vários adversários nas piscinas se manifestaram publicamente contra a presença do chinês na competição.

Após a decisão do TAS, Sun Yang anunciou que irá recorrer. A única opção que resta ao nadador chinês é apelar ao tribunal federal suíço e ele poderá pedir que sua suspensão não entre em vigor até a decisão desta última instância.

"É injusta, acredito com firmeza em minha inocência. Apresentarei um recurso para que todas as pessoas possíveis conheçam a verdade", declarou o tricampeão olímpico e 11 vezes campeão mundial à agência de notícias chinesa Xinhua.

- Sem 'explicação válida' -

"O jurado determinou por unanimidade que os responsáveis pelo controle antidoping respeitaram todas as exigências", explicou o secretário-geral do TAS, Matthieu Reeb. "O atleta não estabeleceu uma explicação válida para a destruição da amostra e não correspondia a ele decidir se um controle antidoping devia ser invalidado e uma amostra destruída", completou.

"Em consequência, Sun Yang cometeu uma violação do regulamento antidoping ao falsificar o controle antidoping. Considerando tratar-se de sua segunda violação e na ausência de circunstâncias atenuantes, o jurado concluiu que deve ser imposta uma suspensão de oito anos", explicou Reeb.

Contudo, as medalhas que o nadador chinês ganhou após o polêmico controle antidoping, incluindo os ouros nos 200 e 400 metros livres do Mundial de natação de 2019, "não foram retiradas retrospectivamente", concluiu o secretário-geral do TAS.

No Mundial de 2019, a presença de Sun Yang foi rejeitada por vários outros atletas. O australiano Mack Horton, medalha de prata nos 400 m, se recusou a subir no pódio durante a cerimônia de premiação como forma de protesto, enquanto o britânico Duncan Scott, bronze nos 200 m, não cumprimentou o nadador chinês.

Sun Yang já estava na mira do mundo da natação após sua primeira suspensão. "Urina roxa", criticou o nadador francês Camille Lacourt durante os Jogos do Rio-2016 ao falar do chinês, referindo-se à uma amostra positiva de um exame de urina.

"Parabéns, TAS! Boa decisão", comemorou o sul-africano Chad Le Clos, vice-campeão olímpico dos 200 metros no Rio, ficando atrás apenas de Yang. "Como outros nadadores limpos, competi contra Sun Yang e perdi. Os trapaceiros não têm lugar no esporte", completou.

A Fina declarou "tomar nota do veredito do TAS" e anunciou que aplicará "a decisão do TAS no que se refere à ação disciplinar contra o nadador".

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