Talibã e a Copa do Mundo: Jornal revela "esquema" na construção de estádios

Jornal inglês divulgou reportagem mostrando relação entre Talibã e construção dos estádios da Copa do Mundo (Photo by Matteo Ciambelli/DeFodi Images via Getty Images)
Jornal inglês divulgou reportagem mostrando relação entre Talibã e construção dos estádios da Copa do Mundo (Photo by Matteo Ciambelli/DeFodi Images via Getty Images)

O grupo extremista Talibã, que governa o Afeganistão, ajudou na construção de estádios usados na Copa do Mundo do Catar. Essa revelação foi feita pelo jornal inglês The Telegraph. Na reportagem, o periódico revela o esquema que uniu o governo catari e os extremistas religiosos.

Segundo o The Telegraph, o Catar abrigou importantes líderes do Talibã na última década. A justificativa era a negociação para o acordo de paz entre o grupo, os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU). Esses membros extremistas recebiam salários e tinham outras mordomias pagas pela família real catari.

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De acordo com a reportagem, com esses recursos conquistados, os membros do Talibã compraram maquinário pesado. E essas máquinas foram alugadas para as empresas que construíram os estádios da Copa do Mundo.

"O Talibã investiu pesado na construção da Copa e o torneio foi um pato de ouro. Eles receberam milhões. Alguns membros do Talibã tinham entre seis e dez máquinas pesadas cada um em Doha e ganhavam até £ 10.000 (R$65 mil) por máquina por mês", disse uma fonte não identificada para o jornal.

Segundo uma outra fonte, esse era um "segredo" entre os envolvidos no esquema. "Era um segredo aberto na Embaixada do Afeganistão em Doha que a equipe de negociações do Talibã e o cargo político estavam sendo bem pagos pelo regime do Catar e eles investiram esses salários em equipamentos de construção para a Copa do Mundo", disse um ex-diplomata afegão, sem ter a identidade revelada.

O jornal destaca que o uso de equipamentos vínculados ao grupo extremista não configura uma irregularidade. No entanto, traz mais uma polêmica envolvendo o torneio no Oriente Médio. Outro jornal inglês, o The Guardian, fez um levantamento de que mais de 6.500 trabalhadores morreram nas obras dos estádios e de infraestutura do país para receber o Mundial.

Talibã nega acusação

Procurado pela reportagem do The Telegraph, o Talibã, que comanda o Afeganistão desde 2021, negou o envolvimento com a construção dos estádios da Copa.

"Rejeitamos as alegações sobre o Emirado Islâmico do Afeganistão fornecer qualquer maquinário de construção ao Estado do Catar para a Copa do Mundo de 2022.Nenhum funcionário do Emirado Islâmico investiu quaisquer subsídios / estipêndios 'lucrativos' em qualquer maquinário pesado e/ou subcontratou tal maquinário para qualquer empresa do Catar", informou um porta-voz do grupo.

A Fifa foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos questionamentos.