Título do Pan sobre os EUA foi primeiro ato do reinado de Marta

BRUNO RODRIGUES
Folhapress

SÃO PAULO, SP(FOLHAPRESS) - A Globo exibe neste domingo, às 16h, na faixa de reprises que já virou habitual na programação do canal durante a pandemia, a conquista da seleção brasileira feminina de futebol sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro.

Será a primeira transmissão de futebol feminino desde que a emissora decidiu preencher a grade com jogos históricos da equipe nacional.

Até aqui, a Globo já transmitiu as finais das Copas do Mundo masculinas de 1994 e 2002 e as decisões de 2005 e 2013 da Copa das Confederações.

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Autora de dois gols na goleada de 5 a 0 contra as americanas, que vieram ao Brasil com uma equipe sub-20, Marta, então com 20 anos de idade, terminou o torneio na artilharia (12) e confirmou com o título do Pan o seu primeiro ato como melhor jogadora do mundo.

Meses antes, no fim de 2006, a camisa 10 da seleção brasileira havia faturado sua primeira eleição da Fifa, premiação com a qual iniciou o seu reinado na modalidade. Até 2010, foram cinco prêmios consecutivos para a jogadora, que ainda ganharia um sexto em 2018 -só Lionel Messi venceu tantas vezes quanto ela.

Contra os Estados Unidos, Marta abriu o placar de pênalti, aos 18 minutos do primeiro tempo. Seu segundo gol no jogo, também em cobrança de penalidade, chegou aos 11 minutos da etapa final, quando a partida já marcava 3 a 0.

A atacante Cristiane também marcou duas vezes e Daniela Alves fechou a goleada por 5 a 0.

Além de Cristiane e Marta, a volante Formiga também estava em campo na vitória no Maracanã, que recebeu mais de 70 mil pessoas.

O trio de atletas, presente também na Copa do Mundo de 2019, na França, pretende disputar a Olimpíada do ano que vem, em Tóquio. Com o adiamento do evento em razão da pandemia do coronavírus, Formiga, que acaba de renovar seu contrato com o Paris Saint-Germain, terá 43 anos no Japão.

Logo depois da vitória, a camisa 10 ganhou uma homenagem na calçada da fama do Maracanã e se tornou a primeira mulher a compor a galeria de craques que eternizaram suas pegadas no local.

Com a remodelação do estádio em 2010 (foi reaberto somente em 2013), 73 peças da calçada da fama sumiram, entre elas a de Marta. Só foram encontradas no início de 2019. Pouco antes, em dezembro de 2018, a jogadora havia retornado ao Maracanã para receber uma nova homenagem.

"Foi um dia muito especial. Um dia que o futebol feminino mostrou para o país que a gente tem condições de estar no lugar mais alto do pódio. A nossa esperança é que isso não pare por aí. Muitas meninas estão querendo jogar e vamos continuar nesta luta", disse Marta após a conquista do Pan, em 26 de julho de 2007.

Quem se mostrou menos otimista com o possível legado do título no Pan foi a goleira titular da seleção, Andréia Santuque, então com 29 anos, que não sofreu nenhum gol nos seis jogos da competição.

"Quando estava na Olimpíada [de 2004, em Atenas], todo mundo falava que 'se vocês ganharem uma medalha, uma medalha vai mudar'. Não mudou. 'Se vocês chegarem bem no Mundial, vai mudar'. Não mudou. A mudança é muito difícil. O Brasil tem muitos problemas já com o futebol masculino, vai ajudar o femimino?", questionou.

Reportagem da Folha publicada última sexta-feira (8) mostrou a dificuldade de times femimininos que disputam o Campeonato Brasileiro. Com a paralisação do futebol em razão da pandemia, atletas e clubes entraram em uma queda de braço pelo recebimento do auxílio pago pela CBF aos clubes na tentativa de mitigar o impacto econômico da parada.

Até a publicação da reportagem, jogadoras alegavam que ainda não haviam recebido nenhum valor referente ao repasse da confederação.

Dos Jogos Pan-Americanos para cá, considerando os principais torneios da modalidade, o Brasil foi vice-campeão mundial em 2007, conquistou a medalha de prata na Olimpíada de 2008, em Pequim, e um quarto lugar nos Jogos do Rio-2016.

No ano passado, após a eliminação nas oitavas de final do Mundial, a já experiente Marta, então com 33 anos, mandou um recado às jogadoras de futebol do Brasil, pedindo às mais novas que se dedicassem para chegar no mais alto nível.

"Precisa treinar mais, precisa se cuidar para poder sorrir no fim", disse ela, que disputou na França sua quinta Copa do Mundo. "Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. A geração de 2004 a 2008 [que foi vice do Mundial e duas vezes prata em Olimpíadas] ofereceu a ocasião ideal para começarmos a lapidar outros talentos. Mas a gente a perdeu", completou.

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