Suspensão de jogo revolta argentinos e tira atenção de ato político em Buenos Aires

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - "Papelão", "vergonha", "tramóia", assim definiram os narradores esportivos argentinos, conhecidos por torcer de modo exaltado por sua seleção, a interrupção do jogo entre Brasil e Argentina. Enquanto isso, numa ensolarada tarde de domingo em Buenos Aires, muitos se aglomeravam diante de telões em cafés e restaurantes para tentar entender o que tinha acontecido.

"Mas se sabiam que os jogadores argentinos estavam errados, porque esperaram o jogo começar para interromper? O Brasil tem medo de nós, essa é a verdade", disse uma mulher que assistia à cena com amigas numa confeitaria da avenida Santa Fe. As demais deram risada.

"Bolsonaro é o que mais espalha o vírus, vive fazendo comício sem máscara, não se vacina e a culpa é dos nossos jogadores?", dizia, inconformado, o dono de um quiosque em Palermo, diante de uma pequena televisão.

"Eles iam perder de novo, como aconteceu na Copa América, e Bolsonaro não queria passar outra vergonha na frente de [Alberto] Fernández, por isso inventou esse teatro todo", afirmou categoricamente um taxista. "É tudo política, sempre", concluiu.

Um jornalista do canal Todo Notícias se dedicou a ler em voz alta as principais manchetes dos jornais brasileiros, inclusive a da Folha, e comentava com os colegas de bancada: "o tom das matérias brasileiras é todo de que a culpa é nossa!".

Tratando de amarrar alguma explicação, mas sem muita informação, afirmou-se, no canal TyC Sports, que a confusão era política. "Bolsonaro está contra o governador de São Paulo, então deu um jeito de cancelar o jogo por uma disputa política interna na qual somos vítimas", disse um comentarista esportivo da emissora.

Enquanto isso, as redes sociais viralizaram memes com a imagem do presidente brasileiro chorando, vestindo a camiseta da seleção argentina. Outro trazia uma foto do mandatário argentino e a frase: "Viu só como eles vieram da selva?", referindo-se a uma gafe que cometeu o mandatário Alberto Fernández quando, em visita recente do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, afirmou que os brasileiros teriam vindo da selva, numa referência equivocada a um texto do Nobel mexicano Octavio Paz.

Outros eram mais grosseiros e usavam palavras de baixo calão e faziam referência ao Maracanazo. A hashtag #MurióBrasil (o Brasil morreu) também entrou para os trending topics.

Enquanto isso, os eventos no país ficaram meio suspensos. Muita gente havia marcado encontros, cafés, compromissos para depois do jogo. Até mesmo atos políticos, como o do pré-candidato a deputado Javier Milei, iria começar logo depois do apito final. Em vez disso, as atenções ficaram voltadas para os acontecimentos em São Paulo.

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