Surto de Covid-19, protocolo e divergências: entenda o que fez Ivan Grava deixar o Corinthians

Fábio Lázaro
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Em meio aos aumentos nos casos de Covid-19 no Brasil, com o recorde diário de mortos por conta da doença sendo batido cotidianamente, o Corinthians viveu a sua crise interna referente a doença, com 16 atletas contaminados, além de funcionários, dirigentes e membros da comissão técnica, nas duas últimas semanas. 

O reflexo da condução do clube frente a esse episódio culminou no desligamento de um dos principais nomes do Departamento Médico do clube, Ivan Grava, neste domingo (15).

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Contudo, os casos coletivos de coronavírus no elenco corintiano foi apenas a gota d' água para o fim de uma relação entre Ivan e Corinthians que já durava seis anos e já estava desgastada. 

Divergências

Em entrevista concedida após a vitória do Timão por 1 a 0 sobre o São Caetano, neste domingo (154), pela quarta rodada do Campeonato Paulista, no estádio Anacleto Campanella, o presidente corintiano Duílio Monteiro Alves admitiu que as divergências sobre o tempo de retorno aos treinamentos dos atletas contaminados teria sido crucial para a saída de Ivan Grava, que, segundo Duílio, se sentiu desautorizado após o corpo médico do Corinthians optar pelo retorno dos jogadores assintomáticos 10 dias após o histórico de infecção. 

- Foi uma discordância de tempo de retorno entre o Corinthians e o Ivan. Todo o corpo médico conversou sobre as razões do protocolo com tempo maior. Não foi o presidente. O que existe é um corpo médico. Ficou resolvido que voltariam antes do previsto pelo Ivan. Ele se sentiu desautorizado e pediu demissão. Ninguém descumpriu protocolo - citou Duílio, que iniciou a falta negando que o clube tivesse problemas com as diretrizes de segurança.
- Não existe nenhum problema de descumprimento de protocolo. Essa conversa não existiu. Existe o protocolo que o Corinthians segue há um ano, protocolo usado pela OMS (Organização Mundial de Saúde): sintomas leve ou sem sintomas podem voltar em dez dias. No treino, eles são avaliados e voltam. Com sintomas de internação, (voltam) em 15 dias. O Corinthians se baseia em ciência. O período máximo de já jogar é dez dias após infecção - pontuou o cartola. 

Desconforto antigo

No entanto, o mal estar entre diversos setores do Corinthians, inclusive dirigentes e jogadores, com Ivan Grava já vem acontecido há algum tempo.

Segundo a "Gazeta Esportiva", havia um descontentamento do médico referente a forma com que algumas pessoas, principalmente atletas, vinham conduzindo os cuidados a respeito do novo coronavírus.

Além da discordância a respeito ao tempo de retorno dos jogadores contaminados pela Covid-19, outras decisões referentes ao tratamento de atletas geraram contrassensos internos. 

Manifestação nas redes

Através do seu perfil no Instagram na tarde desta segunda-feira (15), Ivan Grava se manifestou sobre a saída desejando sorte ao clube.

- Chegou o momento de me despedir do Departamento Médico do Corinthians. Gostaria de agradecer a todos que estiveram comigo nesse período, aos funcionários, jogadores, treinadores, diretores e presidentes. Levo comigo na memória os momentos de glória, as taças e os títulos que foram conquistados enquanto estive junto ao futebol do Timão. Cresci no clube, minha família sempre esteve por lá e a torcida será eterna. Deixo aqui meus votos que sigam todos no caminho do sucesso - escreveu.

Em meio a isso, o pai de Ivan, Joaquin Grava passa a ficar em xeque. No Timão há 43 anos, o doutor leva o nome do Centro de Treinamentos e Excelência do clube, e atualmente exerce a função de consultor médico do clube. Até o momento, Joaquim não se manifestou sobre a saída do filho no núcleo. A diretoria corintiana não pretende dispensar Grava, que aparentemente também não tende a deixar o time de Parque São Jorge. 

Casos de Covid-19 no Corinthians

Atualmente, quatro jogadores do Corinthians seguem afastados, cumprindo isolamento: Xavier, Roni, Ruan Oliveira e André Luís. No entanto, nas últimas semanas outros 12 jogadores ficaram em quarentena após contraírem a doença.

A primeira leva de infectados foram diagnosticados no véspera do clássico contra o Palmeiras, pela segunda rodada do Campeonato Paulista, no dia 3 de março, na Neo Química Arena. Cássio, Guilherme Castellani, Fagner, Fábio Santos, Raul Gustavo, Gabriel, Ramiro e Cauê foram os contaminados. No mesmo dia do jogo, Camacho, que havia testado negativo para a doença, apresentou sintomas, foi isolado e na contraprova registrou o nono caso positivo.

Antes do duelo contra a Ponte Preta, no dia 7 de março, pela terceira partida do Corinthians no Paulistão, na Neo Química Arena, mais quatro atletas foram positivados com a Covid-19: Caíque França, Lucas Piton, Xavier e Ruan Oliveira.