Surgem na Internet fotos da tenista chinesa Peng Shuai, de paradeiro desconhecido

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MELBOURNE, AUSTRALIA - JANUARY 23: Shuai Peng of China plays a backhand during her Women's Doubles first round match with partner Shuai Zhang of China against Veronika Kudermetova of Russia and Alison Riske of the United States on day four of the 2020 Australian Open at Melbourne Park on January 23, 2020 in Melbourne, Australia. (Photo by Clive Brunskill/Getty Images)
Shuai Peng durante jogo no Australian Open de 2020 (Foto: Clive Brunskill/Getty Images)

Quatro imagens e muitas perguntas: uma Peng Shuai sorridente apareceu nas redes sociais, em um momento em que a pressão internacional aumenta sobre a China para que dê informações sobre o paradeiro da tenista chinesa.

 Peng Shuai, de 35 anos, ex-número um do mundo em duplas e uma estrela em seu país, não se manifesta publicamente desde que acusou Zhang Gaoli, um poderoso ex-chefe do Partido Comunista Chinês, 40 anos mais velho, de tê-la forçado a ter relações sexuais.

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 Em uma mensagem publicada no início de novembro na conta oficial da tenista no Weibo (equivalente ao Twitter na China), ela descreve uma relação forçada com Zhang, um homem casado. A mensagem ficou no ar por um curto espaço de tempo, até ser censurada na Internet na China.

 Na mensagem, atribuída a Peng Shuai, mas cuja autenticidade não pôde ser verificada pela AFP, a tenista relata que Zhang Gaoli retomou o contato com ela quando se aposentou da política, em 2018, evocando um encontro sexual forçado. Desde essas afirmações, o destino de Peng Shuai levanta muitas questões.

 "Nos últimos dias, ela ficou em casa em total liberdade e não queria ser incomodada", afirmou neste sábado (20) Hu Xijin, influente editor-chefe do Global Times, um jornal chinês marcadamente nacionalista.

 Peng Shuai "vai aparecer em público muito em breve", escreveu ele, em inglês, no Twitter, uma rede social bloqueada na China, sem comentar o caso no Weibo.

 "Estou convencido de que as falsas especulações (sobre o destino de Peng Shuai) acabarão sendo desmentidas", escreveu, na sexta-feira (19).

 Vários países, entre eles Estados Unidos e França, disseram ontem estarem "preocupados" com o destino da tenista. A ONU pediu, por sua vez, uma prova de que ela está sã e salva, enquanto a hashtag #WhereisPengShuai (#OndeEstaPengShuai, em português) se espalhava como um barril de pólvora nas redes sociais.

- "Bom final de semana" -

 Enquanto isso, quatro fotos do tenista foram publicadas na tarde de sexta-feira na conta @shen_shiwei, no Twitter, identificado como um "veículo afiliado ao Estado chinês" pela rede social.

 A AFP não conseguiu estabelecer de forma independente quando essas fotos foram tiradas.

 Em uma das imagens, a jovem aparece sorrindo com um gato nos braços, no que parece ser sua casa. Uma outra é uma "selfie" de Peng Shuai com um boneco do personagem Kung Fu Panda.

 A conta do Twitter indica, em inglês, que as fotos foram enviadas de forma privada pela tenista em uma rede social para desejar a seus contatos um "bom fim de semana".

 As fotos são acompanhadas da menção "hoje" em mandarim para se referir à data de publicação.

 O Twitter é uma rede bloqueada na China e pode ser acessada apenas por pessoas com uma conexão do tipo VPN. Nos últimos anos, muitos diplomatas chineses e veículos de comunicação oficiais criaram contas nele para defender o ponto de vista chinês.

- "Encenação" -

 Duas semanas após as declarações de Peng Shuai, a televisão pública chinesa CGTN mostrou na quarta-feira uma captura de tela de um e-mail supostamente escrito por ela.

 A emissora, que transmite em inglês e se destina ao público estrangeiro, afirmou que a tenista encaminhou-o ela mesma para a direção da WTA, o órgão responsável pelo circuito profissional de tênis feminino.

 Na CNN, porém, seu presidente, Steve Simon, questionou a autenticidade do e-mail, no qual Shuai classifica como "falsas" suas acusações contra Zhang Gaoli.

 "Não acredito, de modo algum, que seja a verdade", disse Simon, classificando o e-mail de "encenação".

 "Se ela foi obrigada a escrever isso, se alguém escreveu para ela, não sabemos [...] mas, até falarmos com ela, não estaremos tranquilos", acrescentou o dirigente da WTA.

 Embora tenha manifestado sua "preocupação" com o desaparecimento da tenista, a reação da comissão de atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI) contrasta enormemente com a de várias personalidades e outras entidades esportivas, ao defender uma "diplomacia discreta" neste caso.

 "Com a comunidade mundial de atletas", a instância que representa os esportistas no COI está "muito preocupada com a situação da três vezes olímpica Peng Shuai", tuitou na tarde deste sábado a ex-jogadora finlandesa de hóquei Emma Terho, que preside a comissão.

 "Apoiamos a adoção de uma diplomacia discreta e esperamos que leve à divulgação de informações sobre o paradeiro de Peng Shuai e à confirmação de que se encontra sã e salva", acrescentou o texto.

 No comunicado, a comissão também diz que espera que "se encontre um meio para um compromisso direto entre ela e seus companheiros esportistas".

 O caso Peng Shuai está sob censura na China, e o entorno da tenista não se pronuncia a esse respeito.

 O ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, que foi de 2013 a 2018 uma das sete lideranças políticas mais poderosas da China, ainda não reagiu publicamente às acusações.

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