Surfou na onda? Tite rompe silêncio e fala sobre polêmica com Micale

Bruno Cassucci e Thiago Salata

Tite quebrou o silêncio e pela primeira vez comentou sobre as declarações de Rogério Micale, técnico campeão olímpico. Demitido do comando da Seleção sub-20 em fevereiro, ele disse ao LANCE! que faltou transparência a Tite e ao coordenador Edu Gaspar, que teriam "surfado na onda da Olimpíada".

No mês passado, quando perguntado em entrevista coletiva sobre o assunto, Tite disse que se pronunciaria em um momento oportuno. Agora, ao L!, o comandante da equipe canarinho evitou polêmicas, não quis dizer se ficou chateado com as afirmações de Micale e fez elogios a ele:

- Vou falar a meu respeito, não vou fazer comentários das manifestações dele, do que ele falou naquele momento, agora ou vai falar em seguido. Primeiro: Eu tenho um respeito pessoal e profissional pelo Micale, pela relação que tivemos. Segundo: todos os méritos da conquista da medalha olímpica foram do Micale, do Serginho, do Odair, do Maia e de toda a comissão técnica. O terceiro aspecto: não tivemos a condição de conversar porque, eticamente, acredito que esses assuntos devem ser pessoalmente abordados como sempre procurei: pessoalmente, seja de bem ou de mal. E mais: ele é um profissional que rompeu as categorias de base, está plenamente pronto para trabalhar numa hierarquia profissional, falei isso para ele quando foi campeão. Ele está requisitado por qualquer equipe - afirmou Tite.




Tite mais uma vez declarou que não pretende se envolver na reformulação feita nas categorias de base da Seleção. E explicou como é sua relação com os times inferiores do Brasil:

- Não dá para abraçar o mundo, não tenho essa pretensão. Quando vim para a Seleção, foi para dirigir a principal. O que posso fazer de interação? Tenho interagido por vezes com o Guilherme (Della Dea, da sub-15) e o Carlos Amadeu (da sub-17). Eles foram campeões e no outro dia estiveram conosco na concentração antes do jogo contra o Paraguai. Há um ambiente de trabalho, e o coordenador das seleções de base, que era o Damiani, ele faz essa integração em momentos oportunos. Mas cada um de nós têm autonomia. Eu não procurei ter na base. Há um coordenador geral, que é o Edu, o coordenador da base, que era o Damiani, e os seus técnicos. A partir daí estabelecemos vínculos oportunos, mas não da minha responsabilidade - falou o técnico, antes de completar:

- Se fosse para ser assim, eu teria pegado a seleção olímpica lá no início. É humanamente impossível ser justo, acompanhar 56 atletas e cuidar dos outros. Eventualmente uma reunião? Sim! Em momentos oportunos, falar de bolas paradas, situações... mas são coisas complementares, não essenciais.




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