Surfe recorre a 'bolha' na Austrália para salvar temporada

MARCOS GUEDES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cheia de expectativas por causa da inclusão inédita do surfe no programa dos Jogos Olímpicos, a temporada 2021 do Mundial não começou da maneira planejada. A Covid-19 se mostrou um adversário ainda mais poderoso do que havia se imaginado, e apareceram outros obstáculos, como os tubarões que resolveram competir pelo espaço no Havaí. Com muitas dificuldades, a WSL (World Surf League) concluiu sua primeira etapa nas ondas de Pipeline, em dezembro, e em seguida precisou paralisar as disputas masculina e feminina. Agora, faz nova tentativa de levar o campeonato adiante, apostando em protocolos mais rígidos na proteção contra o coronavírus. O retorno das competições é realizado no formato chamado de "bolha", com os atletas isolados antes de cair na água. Eles precisaram cumprir quarentena de 15 dias num hotel em Sydney na chegada ao país, mesmo procedimento adotado pelo Australian Open com os tenistas, na cidade de Melbourne, em fevereiro. A ideia, não havendo novos imprevistos, é realizar quatro etapas entre abril e maio, todas na Austrália, nas praias em que houve acordo com as autoridades locais e nas quais foi possível montar um sistema considerado adequado de isolamento. Nesse ajuste, ficaram fora do calendário as tradicionais etapas australianas de Snapper Rocks e Bells Beach. Foi mantida a também tradicional disputa em Margaret River, e entraram no circuito três novos locais: Newcastle, North Narrabeen e Rottnest Island. "Neste ano, a perna australiana do campeonato está bem diferente do que estamos acostumados, por causa da Covid-19", afirmou o responsável da Liga Mundial pela região Ásia-Pacífico, Andrew Stark. "Embora seja genuinamente decepcionante perder lugares como Bells e Snapper, estamos realmente empolgados pelos locais que foram adicionados." Antes das alterações na Austrália, a WSL já tinha sido obrigada a cancelar o que seria a segunda etapa da temporada, em Sunset Beach, no Havaí, programada inicialmente para janeiro. Foi ainda adiada indefinidamente o que seria a terceira, em fevereiro, em Santa Cruz, nos Estados Unidos. A expectativa, agora, é que o certame finalmente consiga ganhar uma sequência. A janela aberta para a disputa em Newcastle, a primeira etapa da perna australiana, vai de 1º a 11 de abril. A chamada inicial está prevista para as 16h30 desta quarta-feira (31), no horário de Brasília. Após a estendida paralisação, aqueles que se mostrarem em melhor forma no retorno poderão deixar a Oceania em ótima situação na tabela. No torneio masculino, quem saiu na frente foi o havaiano John John Florence, campeão do mundo em 2016 e 2017. Ele venceu a primeira etapa do circuito -a disputa em Pipeline que chegou a ser suspensa pelos casos de Covid-19-, e mostrou a velha forma após seguidos problemas físicos. No triunfo em casa, John John bateu na decisão o brasileiro Gabriel Medina, campeão mundial em 2014 e 2018. Já o brasileiro Italo Ferreira, vencedor da última edição do campeonato, caiu nas semifinais diante de Medina. O havaiano e os dois brasileiros se apresentam novamente como fortes concorrentes. A primeira disputa feminina, transferida de Maui a Pipeline após um ataque de tubarão que matou um surfista amador, teve triunfo da australiana Tyler Wright. Ela superou na bateria derradeira a havaiana Carissa Moore, uma final que tem boas chances de se repetir ao longo da temporada. A brasileira Tatiana Weston-Webb parou nas semifinais diante de Carissa. Depois da perna australiana, a WSL poderá ter novos problemas com o seu calendário. Isso porque a etapa brasileira, em Saquarema, é prevista para junho. Antes da Olimpíada de Tóquio, ainda está marcado o evento de Jeffreys Bay, na África do Sul. O fim da temporada deverá ser em Trestles, na Califórnia, em setembro.