Surfe feminino brasileiro: como tudo começou

A americana Margot Rittscher foi a primeira mulher a pegar uma onda em mares brasileiros (Reprodução)
A americana Margot Rittscher foi a primeira mulher a pegar uma onda em mares brasileiros (Reprodução)

Por Emanoel Araujo e Guilherme Daolio

Em um aspecto o surfe pode ser comparado com o futebol. A elite da modalidade é glamurosa, com premiações altas, salários de respeito e muita visibilidade. Mas ninguém chega a esse patamar de um dia para o outro, já que a imensa maioria dos que tentam viver do esporte sofre com a falta de estrutura, de dinheiro, de patrocínios e, principalmente, de oportunidades.

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A luta das surfistas brasileiras por um lugar ao sol não é nada fácil. Diferentemente dos homens, onde 11 atletas hoje representam a bandeira verde e amarela e conseguem se manter através do esporte, o país tem apenas duas mulheres entre as melhores do mundo na principal categoria da World Surf League.

A história do surfe feminino no Brasil é de luta, dedicação e começa lá atrás, mas bem lá atrás mesmo, com a eterna dificuldade de um Circuito Nacional que dê respaldo e prepare as meninas para um dia chegar no difícil e concorrido Circuito Mundial.

Os primeiros passos

Você já ouviu falar de Margot Rittscher? Foi ela, em 1936, a pioneira do surfe feminino no Brasil. Nascida em Nova York, a americana se mudou com a família para Santos e, influenciada pelo irmão, caiu no mar com uma ‘tábua havaiana’ (como eram chamadas as pranchas) no litoral paulista.

Mas o espaço entre a primeira aventura de Margot e o primeiro momento de relevância foi enorme. Apenas na década de 1960 que o surfe feminino brasileiro viria a mostrar sua verdadeira cara. Maria Helena Beltrão, Heliana Oliveira e Fernanda Guerra participaram em 1965 da primeira competição oficial de surfe para mulheres na icônica praia do Arpoador, no Rio de Janeiro.

Maria Helena Beltrão, Heliana Oliveira e Fernanda Guerra disputaram a primeira competição feminina de surfe no Brasil

Apesar do amor ao esporte e do esforço para disseminar a paixão, o surfe feminino não evoluiu nesta época. Muito por conta da ditadura e de suas censuras que proibiam alguns trajes e fechavam as praias no final da tarde. Se já era difícil para os homens caírem na água nessa época, imagine então como as surfistas eram tratadas.

A reviravolta só aconteceu nos anos 80 e 90. E é justamente desse momento e da criação do Circuito Brasileiro que iremos falar no próximo capítulo dessa série especial sobre o surfe feminino brasileiro aqui no Yahoo Esportes.

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