Não há possibilidade de 'supernotificação' de morte por covid-19, garantem médicos

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Na contramão de fake news disseminadas por apoiadores do presidente e pelo próprio clã Bolsonaro, médicos garantem que não há, no Brasil, um hiperdimensionamento de mortes causadas pelo novo coronavírus. O número de óbitos provocados pela covid-19 chegou a 159 na segunda-feira (30), de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde com base em informações dos estados e municípios.

O fato de todas as mortes confirmadas dependerem de resultados de exames laboratoriais, e não clínicos, é um fator crucial de confiabilidade. ”Não tem como uma pessoa que não teve coronavírus estar sendo computada por isso. Não tem como o profissional de saúde mudar o diagnóstico. Isso não existe. É antiético”, afirma Ana Freitas Ribeiro, médica sanitarista do serviço de epidemiologia do Instituto Emílio Ribas.

Sem apresentar provas, o presidente Jair Bolsonaro tem questionado a veracidade dos números divulgados por órgãos oficiais. “O que estou vendo também, em alguns estados do Brasil, se eu não estou politizando, se eu for ver, ninguém mais, quase ninguém mais está morrendo de H1N1. Todo mundo é covid-19. Parece que a intenção é de potencializar isso para falar: ‘Tá vendo, o que eu fiz justificou, morreram tantas pessoas. Se eu não tivesse feito, teriam morrido cinco, 10 ou 20 vezes mais’”, disse o presidente em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, do Brasil Urgente, da Band, na última sexta-feira (27).

Em meio a uma disputa política com governadores que têm adotado medidas restritivas de circulação de pessoas, Bolsonaro enviou a aliados, por WhatsApp, um vídeo com questionamentos similares.

Na briga de poder, um dos alvos foi o decreto publicado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em 20 de março. O texto determina que o Serviço de Verificação de Óbitos da cidade de São Paulo (SVOC) pode realizar necrópsias indiretas (sem abrir o corpo, por meio de exames externos, como radiografia, ou...

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