Superliga Europeia: o que se sabe sobre a liga dos gigantes europeus

Matheus Ribeiro
·4 minuto de leitura
A selection of scarves of the English soccer Premier League teams who are reported to be part of a proposed European Super League, laid out and photographed, in London, Monday, April 19, 2021.  The 12 European clubs planning to start a breakaway Super League have told the leaders of FIFA and UEFA that they have begun legal action aimed at fending off threats to block the competition. (AP Photo/Alastair Grant)
Clubes ingleses que participam da fundação da Superliga Europeia (AP Photo/Alastair Grant)

Neste domingo (18), doze dos principais clubes de futebol da Europa anunciaram os planos para a criação de uma "super liga" que substituiria a Champions League sem a participação da Uefa. 

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De acordo com o comunicado dos clubes, a pandemia do novo coronavírus "acelerou a instabilidade do atual modelo econômico do futebol europeu", necessitando que exista "uma mudança estratégica e um plano comercial sustentável para trazer mais valor á pirâmide do futebol europeu".

Por que esta "super liga" pode existir?

Nos últimos anos, os principais clubes europeus entraram em conflito com a Uefa, buscando maiores ganhos financeiros e garantia de vagas na Champions League, a principal competição do continente. 

O poder dos clubes já foi visto na última reforma de vagas da Champions League, válida de 2018-19 até 2022-23, em que as quatro melhores ligas de acordo com os coeficientes da Uefa garantem quatro vagas diretas na fase de grupos cada, sem precisar passar pelas fases preliminares.

No entanto, os clubes que defendem a Superliga não ficaram felizes com os novos planos de reforma da Champions League para 2023-24, com a formação de uma primeira fase maior, com 36 jogando em um formato suíço para decidir os classificados para as oitavas de final.

Clubes teriam grande benefício financeiro

Os clubes fundadores acreditam que o novo formato "trará um significante ganho financeiro para o futebol europeu" e que os pagamentos serão muito maiores do que os recebidos nas atuais competições continentais.

Um montante de 3,5 bilhões de euros (cerca de 23,5 milhões de reais) seria distribuído entre os clubes fundadores apenas pela afiliação ao projeto, com o número podendo alcançar até 10 bilhões de euros (cerca de 67,25 milhões de reais) no primeiro período de afiliação.

Quais times participarão?

Até o momento, a Superliga tem 12 times considerados fundadores que participariam de todas as edições: 

  • Espanha: Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid

  • Inglaterra: Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham Hotspur

  • Itália: Internazionale, Juventus e Milan

A proposta inicial tem 15 clubes como fundadores, mas o anúncio da liga conta com apenas 12 times. De acordo com veículos de imprensa europeus, clubes como Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Paris Saint-Germain se recusaram a participar do processo.

Quando a liga começaria?

No comunicado dos 12 clubes fundadores, existe a previsão de que a Superliga possa começar "o mais rápido possível", com suas temporadas começando sempre no mês de agosto. 

O formato de disputa

Cada edição da competição teria 20 clubes. As cinco equipes que acompanhariam os fundadores seriam decididas através de um mecanismo de qualificação baseaso no desempenho da última temporada.

Os 20 clubes seriam divididos em dois grupos de dez, jogando partidas de ida e volta durante a semana para não atrapalhar as ligas nacionais. Os três melhores times de cada grupo se qualificam para as quartas de final, enquanto o quarto e quinto fazem um playoff para disputar a vaga restante.

As críticas

Desde os primeiros rumores sobre a criação da "super liga" no início do ano, Fifa e Uefa se mostraram contra a ação. E antes mesmo do anúncio oficial, a Uefa foi extremamente enfática nas críticas, afirmando que é um projeto "cínico".

"Alguns clubes ingleses, espanhóis e italianos podem pensar em anunciar a criação de uma chamada Superliga independente", lê o comunicado da Uefa. "Conforme anunciado anteriormente pela Fifa, os clubes envolvidos seriam proibidos de participar em qualquer outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e aos seus jogadores poderia ser negada a possibilidade de representar as suas seleções nacionais."

Na manhã desta segunda (19), o presidente da Uefa Alexander Ceferin confirmou que atletas que jogarão a Superliga serão proibidos de atuar por suas seleções em torneios oficiais como a Copa do Mundo e a Europa. 

As principais ligas nacionais da Europa e até governos nacionais também se manifestaram contra a criação do torneio. A liga espanhola, La Liga, classifica o projeto como "secessionista e elitista", enquanto o primeiro ministro do Reino Unido Boris Johnson prometeu não permitir que o plano se concretize. 

O anúncio também rendeu grandes protestos de torcedores, principalmente na Inglaterra. Até o fechamento desta matéria, duas das principais torcidas do país, de Chelsea e Liverpool, pediram que suas faixas fossem retiradas dos respectivos estádios.