Superação: Ícaro Miguel, do taekwondo, comemora vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio


Uma história de luta e superação, esta é a vida do atleta de taekwondo, natural de Belo Horizonte e criado em Betim, Ícaro Miguel (80kg). Cego de uma vista, devido a um acidente doméstico, ele sempre sonhou em ser ninja e conseguiu uma vaga nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio ao chegar à final do pré-olímpico, na Costa Rica. Além dele, Milena Titoneli (67kg) e Edival Pontes, o Netinho (68kg), também garantiram um lugar na delegação brasileira.

- Falo que vou ser campeão olímpico desde os dez anos de idade. Desde antes de tudo se tornar assim tão palpável, tão real quanto é hoje, já falava que era isso que eu queria para minha vida. Sem dúvida, Tóquio vai ser um sonho, Japão é um país incrível. Tenho certeza que o show que eles tão preparando para nós vai ser algo inacreditável. A medalha é uma questão de tempo - comentou Ícaro Miguel.

O jovem relatou que convive com a deficiência desde os seis anos de idade. Na época, ao ter uma irritação na vista devido ao cloro da piscina, sua mãe foi jogar água boricada para aliviar, mas confundiu os frascos e acabou pingando amônia no olho direito de Ícaro. Apesar disso, ele ressaltou que teve a oportunidade de fazer uma escolha: passar por um transplante de córnea para tentar voltar a enxergar ou seguir no esporte.

- Foi uma decisão difícil, mas sempre soube a resposta, independentemente do que acontecesse. Hoje estou aí, número 2 do ranking mundial, número 4 do ranking olímpico. Costumo dizer que esse problema de visão não influencia em nada. Talvez até me torne mais forte, já que abri mão de um possível transplante, de recuperar a minha visão. Isso me dá mais força para treinar. Naqueles dias mais difíceis, penso: ‘pô, cara, você abriu mão de ter sua visão de volta. Então, vamos, continua!’ Brinco que a minha deficiência me deixou mais forte - destacou.

Atualmente, Ícaro está classificado para os Jogos Olímpicos na categoria até 80kg, e é o atual vice-campeão mundial. Ele venceu suas duas lutas contra Isiah Pollard, de Trinidad e Tobago, e Miguel Ferrera, de Honduras. Para ele, não ter a visão direita nunca o impediu de sonhar e treinar sonhando com a medalha de ouro. - Comecei no taekwondo com 8 para 9 anos de idade. Queria virar ninja, ser faixa preta - completou.

- Em vez de pensar que não consigo defender porque sou cego de um olho, eu pensava: ‘não consigo defender porque estou errando’. Então, ia lá e treinava mais aquele lado. Teve uma época que minha namorada me ajudava porque perdi muito a noção de profundidade. Eu, maluco, tampava o olho esquerdo, que é o olho bom, e ficava chutando só com o olho direito aberto. Não sabia se fazia sentido ou não, mas era o que fazia - afirmou, e em seguida completou.

- Fazia o treino da manhã, o da tarde e, no final do dia, complementava com aquele treino. Coisa de shaolin (estilo do kung fu criado por Bodhidharma, patriarca do budismo). Não via minha deficiência como algo físico, olhava realmente como algo técnico. Estou errando meu tempo aqui? Vou treinar mais que meu tempo vai melhorar. ‘Ah, estou errando a parte do lado direito, o braço está muito aberto?’ Vou começar a defender mais até encontrar o caminho. E acho que meu comando cerebral foi achando sozinho de tanto que fui praticando - finalizou.












Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Leia também