Exame de anticorpos mostra eficácia da Sputnik V e aumenta minha confiança

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Antes desacreditada, vacina Sputnik V ganha força ao redor do mundo - Foto: Fabio Aleixo
Antes desacreditada, vacina Sputnik V ganha força ao redor do mundo - Foto: Fabio Aleixo

***Por Fábio Aleixo, de Moscou

Agora sim posso me considerar imunizado contra o coronavírus. Quarenta e dois dias após receber aqui em Moscou a primeira dose da vacina Sputnik V, fiz um exame de anticorpos. O resultado recebido na semana passada foi o esperado, o que só aumenta minha confiança no potencial da vacina russa.

Estou imunizado e com uma grande quantidade deles em meu organismo. De acordo com os referentes adotados no tipo de exame realizado, tenho 111 OE/ml de sangue.

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O valor é quase que dez vezes maior do que uma pessoa que não tem nenhum tipo de proteção. Valores entre 0 e 12 OE/ml apontam grande possibilidade de um indivíduo se infectar.

Havia realizado este mesmo exame antes de receber a primeira dose e meu índice não chegava nem a 4 OE/ml.

Este número de anticorpos desenvolvidos até o momento não é definitivo. As possibilidades são grandes que ele ainda siga crescendo ao longo das próximas semanas como aconteceu com diversos colegas meus que também já passaram pelo mesmo processo.

Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo
Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo

Por ora, ainda é impossível saber também por quanto tempo os anticorpos estarão presentes no organismo e quanto durará esta imunidade. Os estudos e pesquisas sobre a Sputnik V e as mutações do coronavírus seguem em curso não apenas na Rússia como em todo o planeta.

Isso, porém, será visto ao longo dos próximos meses e anos.

Mas de momento, eu me sinto tranquilo em saber que poderei levar uma vida normal, com baixíssimos riscos de me contagiar, uma vez que o índice de eficácia da vacina, divulgado no começo de fevereiro, é de 91,6% e para casos graves de 100% .

É uma espécie de sentimento de liberdade depois de tanto tempo sempre vivendo naquela angústia ou ansiedade de não saber se está contagiado e ainda que sem sintomas esteja contagiando outras pessoas.

Aqui na Rússia, mais de 4 milhões de pessoas já receberam a Sputnik V e até o fim do ano a meta do governo é ter 60% da população vacinada. Com isso, acreditam a pandemia do coronavírus no país estará controlada.

Desde que tomei a primeira dose, muita gente se interessou em saber como foi. E acredito que isso se deve ao fato de que a vacina russa foi muito descreditada e vista de maneira negativa desde o começo. Porém com a publicação recente na The Lancet e cada vez mais países fazendo seu registro – em breve pode ser aprovada em toda a União Europeia – todas as dúvidas vão sumindo.

Eu jamais tive dúvidas e por isso resolvi me vacinar.

Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo
Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo

As duas vacinações foram bem tranquilas e rápidas. Apenas uma leve picadinha no braço. E as duas trouxeram reações rápidas. Nada assustador, apenas um pouco desconfortável.

Depois da primeira dose, tive uma febre alta de 38,5 graus cerca de dez horas após a injeção. Nada que um paracetamol não resolvesse, como já recomendavam os médicos. Suei muito pela noite e foi difícil de dormir. Dores de cabeça também foram constantes. Mas assim como vieram estes sintomas, desapareceram antes que se completassem 24 horas da aplicação.

Na segunda dose, as reações foram menos intensa e duraram menos tempo. Isso sim, o braço ficou mais dolorido. Pela noite, a temperatura subiu no máximo até 37,5 graus. As dores de cabeça vieram, mas bem leves. Quando acordei, tudo já havia passado e me sentia já 100%.

Brinco que não virei jacaré, nem um urso polar.

Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo
Sputnik V dribla desconfiança e ganha espaço no mundo - Foto: Fábio Aleixo

As únicas recomendações são evitar o consumo de álcool durante três dias após cada dose e também não ir na sauna, uma tradição russa.

Vale ressaltar também que após a segunda dose, recebi um certificado em russo e em inglês atestando que estou imunizado. E nele há recomendação de que mesmo vacinado é necessário seguir com distanciamento social sempre que possível e fazer o uso de máscaras.

É esperar agora que a Anvisa também faça a liberação desta vacina em território nacional e que os brasileiros também tenham acesso.