Tarciso: “O concreto corrói, mas a história do Grêmio não acaba nunca”

Ponta-direita dos maiores títulos do clube, Tarciso Flecha Negra fala de sua carreira no Imortal

Tarciso Flecha Negra
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Em 2011, o ex-jogador participou de amistoso entre parlamentares gremistas e colorados. (Foto: Reprodução Internet)

José Tarciso de Souza chegou ao Grêmio como um ilustre desconhecido. Mineiro de São Geraldo, o ponta-direita foi enviado pelo América-RJ em troca de Flecha, que atuou pelo tricolor gaúcho por cinco anos, alcançando até a Seleção Brasileira. Treze anos depois de desembarcar em Porto Alegre, contudo, Tarciso Flecha Negra, apelido dado pelo jornalista Haroldo de Souza, era um dos maiores ídolos da História do Grêmio, tendo participado dos principais títulos do clube.

Nesta sexta-feira, Tarciso falou com exclusividade ao Yahoo! Esporte Interativo. Com um misto de sentimentos no coração, o ex-jogador, que atualmente é vereador em Porto Alegre, comentou a despedida do Estádio Olímpico, relembrou seus tempos no clube e ainda falou sobre seu jogo inesquecível.

Confira a entrevista do craque:

Yahoo! Esporte Interativo: Tarciso, como você chegou ao Grêmio?

Tarciso Flecha Negra: Eu comecei na escolinha do América do Rio e subi para o profissional em 1970. Joguei com o Edu, irmão do Zico, Badeco, Alex. Em 1973, fui indicado pelo João Saldanha, que era gaúcho, para vir jogar no Grêmio. Cheguei ao clube com apenas 21 anos e fiquei até os 34.

Yahoo! Esporte Interativo: Depois de treze anos de Grêmio você é um dos maiores ídolos do clube. Como é esse sentimento?

Tarciso: O Grêmio é a minha casa. Vivi 13 anos no clube, 721 partidas, 230 gols. Foi o clube que me deu a oportunidade de realizar todos os meus sonhos, onde eu conquistei todos os títulos que um jogador pode sonhar, cheguei à Seleção Brasileira, ganhei duas Bolas de Prata. Meu sentimento é de gratidão ao torcedor gremista.

Yahoo! Esporte Interativo: Como fica o coração com a proximidade da demolição do Olímpico, onde você viveu tantos momentos fantásticos?

Tarciso: É difícil falar dessa saída, mas, ao mesmo tempo, a gente fica contente de ver a Arena sendo construída. É tristeza e alegria que se misturam. Mas eu estou preparado para a despedida do Olímpico. O concreto, o ferro, isso tudo acaba, corrói, mas a história do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense não acaba nunca.


Yahoo! Esporte Interativo: De todas as mais de 700 partidas em que você defendeu o Grêmio, qual o jogo inesquecível?

Tarciso: Sem dúvida a final do Gaúcho de 1977 (1 a 0 Grêmio sobre o Inter, com gol de André Catimba). Pode perguntar a qualquer gremista de 30, 40 anos e ele vai ter aquele ataque de 1977 na ponta da língua. Tarciso, André Catimba e Éder. O Mundial de 1983 também me marcou muito. São tantos jogos que eu levaria uma semana para te contar dos grandes times que passaram no Grêmio.

Yahoo! Esporte Interativo: E como anda a expectativa para o Gre-Nal desse domingo?

Tarciso: O Gre-Nal é um jogo que mexe demais comigo, é um campeonato à parte, que divide o Rio Grande do Sul de azul e vermelho. Se você perguntar para um gremista se ele prefere ganhar o título ou o Gre-Nal, muitos vão responder que acham melhor vencer o Gre-Nal. E esse jogo vai ser ainda mais especial. Oxalá que a gente possa fazer uma despedida com choro, mas um choro de emoção, de alegria, aquele choro lindo. Porque eu acho que o Grêmio e principalmente o Estádio Olímpico merecem isso.

Yahoo! Esporte Interativo: O Grêmio só teve jogadores negros em seu plantel a partir da década de 1950. Hoje, você é consagrado um ídolo gremista. Como foi ser um jogador negro no Grêmio?

Tarciso: Quando eu cheguei, o racismo no clube já tinha passado. Fiquei sabendo das histórias por revistas, fotos, que o Tesourinha foi o primeiro negro a defender o Grêmio. Não sofri preconceito. Sou muito grato ao torcedor do Grêmio e ao povo do Rio Grande do Sul.

Yahoo! Esporte Interativo: E a Arena? Já viu o novo estádio?

Tarciso: Já, sim. Estive presente nas obras e fiquei muito contente. O Grêmio vai ter um estádio à altura dele. Isso nos dá alegria. O Grêmio está saindo do Monumental, mas está indo para uma das arenas mais bem feitas do mundo, a melhor da América Latina. Estarei presente à inauguração, junto com outros grandes nomes da História do clube.

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