Felipão volta em cenário mais calmo e renovado

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Felipão encontrará Seleção com elenco renovado e apenas um jogador de seu tempo. (Foto: Reprodução Internet)
Felipão encontrará Seleção com elenco renovado e apenas um jogador de seu tempo. (Foto: Reprodução Internet)

Treinador demitido sem conquistar nenhum título e Felipão contratado para assumir a Seleção faltando um ano e meio para a Copa do Mundo. O torcedor já viu esse filme e dez anos depois a CBF prepara a reprise.

As duas chegadas de Luiz Felipe Scolari, porém, ocorrem em momentos distintos da Canarinho. Em 2001, quando recebeu o bastão de Émerson Leão, o escrete nacional vivia um dos piores momentos de sua História. Contratado após o 3 a 0 imposto pela França de Zinedine Zidane na decisão de 1998, Vanderlei Luxemburgo ergueu a Copa América de 1999, mas, investigado por sonegação fiscal, foi demitido após a derrota para Camarões nas quartas de final das Olimpíadas de Sydney, em 2000.

CPI e queda de Leão

Paralelamente, eram instauradas no Congresso Nacional as CPI do Futebol e da CBF/Nike, que, entre outras ações, quebrou o sigilo bancário e fiscal do ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira. Durante os trabalhos da comissão, foram ouvidas algumas personalidades do futebol, como Zagallo e Ronaldo.

Foi nesse clima de instabilidade política que Émerson Leão, campeão mundial em 1970 como jogador, foi chamado. Em apenas 11 jogos como treinador, o ex-goleiro de Vasco e Palmeiras venceu quatro, empatou o mesmo número e perdeu três. Com convocações esdrúxulas, a mais notável delas a ida do volante Leomar, do Sport, para a Copa das Confederações de 2001, Leão caiu depois de terminar na quarta colocação do torneio disputado na Coréia e no Japão.

Unanimidade entre a torcida, Felipão assumiu pouco antes da Copa América. Na Colômbia, a Seleção caiu nas quartas de final para Honduras. Aos tropeços, a equipe garantiu a classificação para o Mundial na última rodada das Eliminatórias em 3 a 0 sobre a Venezuela, em São Luís. Desacreditada, a Seleção embarcou para a primeira Copa na Ásia com um elenco recheado de jogadores que atuavam no Brasil, surpresas como o volante Kléberson, do Atlético-PR e um menino são-paulino de 20 anos. Seu nome: Ricardo Izecson dos Santos Leite. Para todos, Kaká.

Kaká é o único remanescente

Kaká, aliás, será o único atleta que Felipão reencontrará na Seleção. De volta ao time nas últimas convocações de Mano, o meia, agora com 30 anos e no Real Madrid, conviveu com uma grave lesão no púbis e quase não jogou desde a Copa de 2010. Além do companheiro de Cristiano Ronaldo, o novo comandante chegará em time com uma cara totalmente nova. Com espinhas e moicano, inclusive.

Com Neymar à frente, a Seleção segue em um árduo processo de renovação que remonta aos tempos de Dunga no comando, em 2006, que parece ter, finalmente, chegado ao fim. Pegando a partida contra a Colômbia, no dia 14 de novembro, por exemplo, dos 14 brasileiros que entraram em campo, somente quatro participaram da última Copa do Mundo.

Com uma base montada e com atletas do gosto da torcida brasileira, além de Neymar, jogadores como Lucas e Oscar encontram baixíssima rejeição do público, o trabalho de Scolari parece estar facilitado em relação a 2002 em relação ao elenco.

Porém, a realidade do futebol alterou-se enormemente neste decênio, com a emergência da Espanha, a boa safra de jovens alemães e o melhor do mundo Messi no comando dos eternos rivais argentinos. Os três, somados às tradicionais França e Itália, prometem ser as grandes pedras no caminho da família Scolari 2.0. O filme é o mesmo. A torcida é para que o final também seja.



















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