À procura de um meia, Flamengo sofre com infinidade de volantes

Formação com três cabeças de área vem desde 2006

Dátolo
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Nos últimos dias, Giuliano, Alex, Renato Augusto e Dátolo foram ventilados na Gávea. Se nenhum deles veio até o momento – Renato Augusto parece estar acertado com o Corinthians – a certeza é de que o Flamengo está à procura de um meia de ofício. A caça explica-se pela atual situação do elenco e também historicamente.

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Primeiro, o elenco. Em um ano para ser esquecido, o rubro-negro sofreu imensamente para encontrar um camisa 10. Com a irregularidade do argentino Bottinelli e a insistência de Dorival Júnior em escalar o jovem Adryan fora de posição, o clube teve que recorrer ao mercado.

Nesse ponto, entra o fator histórico. Como vem fazendo nos últimos anos, o Mais Querido trouxe um volante para organizar as jogadas da equipe. A bola da vez foi Cléber Santana, que veio do Avaí. Reconhecido por seu trabalho como jogador de contenção no Santos, o camisa 88 havia feito a transição para a armação há pouco tempo.  Após um início animador, com direito a gol na estreia contra o Atlético-GO, o jogador caiu de rendimento e, junto com boa parte do elenco, chega ao final de 2012 desprestigiado.

A utilização de volantes na posição de meia-armador é quase praxe no Flamengo atualmente. Antes da contratação de Cléber Santana, Ibson foi repatriado para fazer as vezes de camisa 10, posição que na atual temporada também foi ocupada por Renato Abreu, outro dos cabeças de área alçados à armação durante os tempos de Flamengo.

Sempre três (ou quatro) volantes

A final da Copa do Brasil de 2006 pode ser entendida como um marco tático no clube de maior torcida do país. Independente de viver uma boa ou má fase, o Fla tem escalado, nestes últimos seis anos, três volantes em seu meio-de-campo.

Naquela decisão do torneio, onde foram mandados a campo Toró, Jonatas e Renato, o treinador Ney Franco fazia sua estreia pelo clube da Gávea. Armando o time no 3-6-1, o mineiro comandou a equipe até julho de 2007. Durante seu período a frente do Flamengo, a equipe começou a contratar volantes em profusão. Paulinho, Clayton e Jaílton foram alguns dos que chegaram enquanto Ney era o técnico.

Para substituir o ex-Ipatinga, o rubro-negro trouxe Joel Santana. Conhecido retranqueiro, o Natalino conseguiu levar o time à Copa Libertadores da América abusando de formações com quatro volantes. Na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-PR, que confirmou a classificação para o torneio internacional, o meio-campo do Flamengo foi formado por Jaílton, Cristian, Léo Medeiros e Ibson.

Em 2008, com Caio Júnior no comando técnico, o Fla seguiu enchendo-se de volantes. Entre um mar de cabeças de área, tais como Aírton, Kléberson, Toró, Cristian, Ibson e Jaílton, restavam aos meias de verdade lutar por uma posição no ataque. Foi assim que Marcinho e Marcelinho Paraíba conseguiram um lugar ao sol.

Nos dois anos seguintes, a cena se repetiu. No time campeão brasileiro em 2009, apenas Petkovic tinha o talento dos grandes craques. Completando a equipe, nomes como Willians, Aírton, Maldonado e Toró. Para 2010, quando o Fla correu risco de rebaixamento, a fórmula foi mantida. O sérvio perdeu lugar na equipe para o repatriado Renato Abreu. Ao lado do Urubu, jogavam Fernando, Fierro, Willians e afins.

Inchaço no elenco

Em 2011, parecia que tudo seria diferente. Contratados, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves prometiam formar uma dupla de meias como há muito tempo a Gávea não via. Porém, a formação com os dois no meio-de-campo sucumbiu ao pensamento dos comandantes. Com o discurso de evitar que o time ficasse vulnerável, Vanderlei Luxemburgo improvisou R10 no ataque e seguiu com três volantes no time titular.

Tão fiel aos volantes, os treinadores que passaram pelo clube desde 2006 deixaram um verdadeiro estoque de cabeças de área na Gávea. No atual elenco, dos 18 meio-campistas, 11 são volantes de origem ou ofício (Amaral, Luiz Antônio, Renato Abreu, Maldonado, Lorran, Rômulo, Ibson, Cléber Santana, Cáceres, Aírton e Muralha). Está explicado a procura tão grande por um meia clássico.

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