‘Sou de direita, mas não sou fascista’, diz funcionário dispensado pela Lazio por saudação controversa

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Após ser dispensado pela Lazio, o adestrador espanhol Juan Bernabé, responsável por cuidar de Olímpia, águia mascote do clube, manifestou-se sobre o motivo da demissão: a saudação fascista realizada no último sábado, no Estádio Olímpico de Roma, na vitória do time sobre a Inter de Milão, por 3 a 1.

“Lamento pelo que aconteceu. Na Espanha, a saudação fascista não é feita dessa forma, mas sim com o braço estendido. Sou de direita, apoio o Vox (partido espanhol de extrema direita), como muitos dos meus amigos futebolistas, mas não sou fascista”, disse Bernabé.

Imagens que viralizaram nas redes sociais, porém, mostram o adestrador fazendo o gesto em alusão a Benito Mussolini em direção à arquibancada e recebendo de volta da torcida gritos de "Dulce", um dos apelidos do ditador italiano.

“Foi no calor do momento para festejar o fim do jogo. Foi uma saudação militar, não fascista. Sou uma pessoa que viajou muito e se relacionou com pessoas de todas as origens. Mas a vida é assim: tem momentos bons e outros maus. Este é um momento mau”, lamentou Bernabé.

A Lazio dispensou Bernabé na última quarta-feira, 20, assim que os vídeos começaram a repercutir nas redes sociais. “Tendo conhecimento da existência do vídeo de Juan Bernabè (não registrado e funcionário de uma terceirizada) em atitudes que ofendem a empresa, os torcedores e os valores da comunidade, foram tomadas medidas que visam a suspensão imediata do serviço e a eventual rescisão dos contratos existentes”, informou o clube, por meio de uma nota.

A pauta de combate a manifestações fascistas e nazistas é recorrente na agenda da Lazio, que tem grupos de torcedores conhecidos por cantos discriminatórios. Em março deste ano, mais uma vez, o clube se associou ao assunto, quando assinou por três temporadas com o zagueiro Romano Floriani Mussolini, de 18 anos, bisneto do ditador.

“Perante a ostentação de gestos ou símbolos que evocam ideias fascistas não pode haver qualquer tipo de ambiguidade, hesitação ou dúvida. A sociedade e a Federação de Futebol devem intervir com a maior urgência e eficácia. Os fascistas e aqueles que promovem o ódio devem ser afastados do mundo do futebol porque é um ódio que se espalha do campo para qualquer lugar”, declarou Noemi Di Segni, líder da União das Comunidades Judaicas Italianas, antes de a Lazio demitir o adestrador.

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