Soteldo é destaque no site da Fifa e fala da camisa 10, altura e Sampaoli

LANCE!/DIÁRIO DO PEIXE
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Em entrevista exclusiva para a Fifa, o venezuelano Soteldo falou sobre o sonho de levar a Venezuela longe na Copa do Mundo, revelou o pedido pela camisa 10 do Santos e também comentou sobre sua trajetória, a altura e sobre o ex-técnico Jorge Sampaoli.

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Com apenas 23 anos, o meia-atacante revelou que não teve uma infância fácil e contou que o futebol salvou sua vida. Soteldo lembrou que quase deixou de ir a uma partida no qual o olheiro do Caracas estaria presente pois suas chuteiras haviam estourado. Ele conseguiu chuteiras emprestadas, entrou na partida com o time rival vencendo por 2 a 0 e seu time virou o placar com uma assistência do camisa 10. A partir deste dia, tudo mudou na vida de Soteldo.

- Eu cresci com alguns amigos - bem, pessoas para quem eu chamava de amigos na época - e nós saíamos juntos desde que eu tinha seis anos. Aos 11 anos, eles estavam começando a sair dos trilhos e aos 12 já estavam roubando. De repente, eles podiam comprar muitas coisas enquanto eu não tinha nada. Foi quando comecei a seguir na mesma direção. Porém, quando eu tinha 13 anos, um deles foi morto, e foi então que me perguntei: 'O que estou fazendo aqui? - contou Soteldo à Fifa.

- Naquela época, tive a chance de disputar uma partida que contaria com a presença de um olheiro do Caracas FC, mas como minhas chuteiras estouraram, decidi não ir. Aí, no dia do jogo, meu time estava perdendo e veio me procurar. 'Vamos emprestar-lhe um par de botas', disseram-me, e lá fui eu. Estávamos perdendo por 2 a 0 quando me colocaram no lugar de camisa 10, e viramos a situação com dois gols e uma assistência minha. Foi assim que tive a chance de ingressar em Caracas, que foi a melhor coisa que já me aconteceu - concluiu o venezuelano.

Soltedo chegou ao Santos ainda em janeiro de 2019 e logo de cara herdou a camisa 10 do Rei Pelé. Quando questionado sobre o peso da camisa, o meia-atacante revelou que nunca se incomodou e que ele mesmo perguntou se a camisa estava disponível.

- Na verdade, fui eu quem pediu! A primeira coisa que fiz quando cheguei foi perguntar se a camisa 10 estava disponível. Eu sei o que isso representa, mas nunca me sobrecarregou. Além do mais, no dia da minha apresentação, ganhei uma camisa sem número, então lembrei ao presidente que queria o nº 10. Acho que ele achou que eu estava brincando! Em seguida, eles imprimiram e, quando virei as costas para mostrar à multidão, o estádio explodiu - revelou Soteldo.

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, revelou que o preconceito pela altura do jogador impediu a contratação antes mesmo da chegada ao Peixe. Não foi o primeiro caso. Na entrevista, Soteldo falou sobre o sentimento na primeira vez em que falaram sobre sua altura no futebol e as poucas chances de sucesso.

- Muitas coisas vieram daquele momento. Eu fui dispensado por Caracas e estava procurando começar de novo do zero. Eu estava em uma provação e ia bem, apenas para um dos funcionários me dizer que tinham decidido contra mim por causa do meu físico e que eu deveria esquecer a carreira no futebol. Se você é um garoto impressionável e submisso, talvez tivesse desistido e eu quase o fiz. Mas eu não estava fraco e entendi que não poderia deixar essas palavras me atingirem. Depois fui a um torneio estadual em Barinas, com a presença de 'Chita' Sanvicente, que acabara de ser nomeado treinador do Zamora. Eu estava quase completando 15 anos. Ele me viu jogar e o resto é história - desabafou o camisa 10.

Destaque na temporada 2019, Soteldo foi pedido de reforço do argentino Jorge Sampaoli quando comandava a equipe santista. O camisa 10 revelou que escutou o pedido do treinador para que ele se defendesse nas partidas, ele acredita que o argentino foi o profissional com o qual ele mais aprendeu.

- Fiz minha primeira aparição logo após a assinatura e marquei na estreia. Mas depois de três ou quatro jogos, ele parou de me colocar no time. Antes do clássico contra o Palmeiras, ele me deu aquele ultimato, que foi quando eu entendi o que estava acontecendo. Como sou uma pessoa que segue os conselhos dos meus treinadores, trabalhei muito e mudei. Agora, eu poderia correr 10 ou 11 quilômetros por jogo. Ele é um dos treinadores que mais me ensinou até agora - contou o jogador.

O camisa 10 não esconde que Lionel Messi foi sua grande inspiração no início da carreira. Inclusive, os dois já puderam atuar juntos na Copa América de 2019. O nome do filho de Soteldo, Thiago Mateo, é a junção dos nomes dos filhos do Messi, Thiago (mais velho) e Mateo (mais novo).

- Sim! Eu olhei para ele como um outro homenzinho e pensei: 'Se ele pode se tornar um dos melhores do mundo, o que me impede de fazê-lo?' Além disso, tínhamos estilos semelhantes. Eu sentia que, embora talvez não fosse o melhor, pelo menos poderia me sobressair como ele. Chamei meu primeiro filho, que tive aos 18 anos, de Thiago Mateo - contou Soteldo.

O venezuelano revelou que vai dar seu máximo para que a Seleção da Venezuela esteja na Copa do Mundo do Qatar de 2022.

- É um objetivo claro e algo que está na minha lista de desejos, então darei todo o possível para que isso aconteça. Mas aprendi a não ficar obcecado com as coisas, senão enlouqueceria e não conseguiria fazer carreira no futebol.

Por fim, o meia-atacante deixou seu futuro em aberto revelou.

- Hoje posso dizer que estou pronto para ir ao próximo nível, embora me sinta bem aqui no Santos. Veremos depois da Copa América. Sempre gostei do campeonato inglês.

Ele chegou a citar em outras entrevistas que tem o desejo de jogar no Manchester United.

A entrevista com Soteldo está em destaque no site da Fifa. O venezuelano é um dos destaques do Santos e do futebol brasileiro, chegou a disputar o prêmio Craque da Libertadores ao lado de Marinho. Apesar do imbróglio entre Santos e Huachipato, o camisa 10 se identifica com o clube.